Estudo clínico na Região Sul investiga resposta imunológica e produção de anticorpos; diretor do instituto defende rigor científico para retomada da imunização
O Instituto Butantan reiterou que manterá em andamento o estudo clínico sobre a vacina contra a dengue conduzido desde janeiro em quatro centros de pesquisa na Região Sul do país. A manutenção dos testes foi confirmada após o anúncio feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha , na última segunda-feira (8), que determinou a suspensão temporária da aplicação geral do imunizante na população para a investigação de casos pontuais em que foram registradas reações adversas graves, incluindo dois óbitos.
O estudo clínico foca em investigar a segurança e a resposta imunológica em populações que historicamente não tiveram contato com a dengue, tendo como público-alvo principal a população idosa. A pesquisa busca avaliar se a produção de anticorpos no organismo de indivíduos mais velhos assemelha-se à eficácia identificada no grupo de adultos jovens em etapas anteriores dos testes laboratoriais.
Critérios de pesquisa e foco na população idosa
A Região Sul do país foi selecionada de forma estratégica para sediar o estudo devido ao seu histórico de baixa incidência e circulação do vírus da dengue. O recrutamento de voluntários prioriza cidadãos que tenham entre 60 e 79 anos. O cronograma dos testes clínicos prevê o monitoramento contínuo dos participantes ao longo de um ano, divididos em centros de pesquisa localizados nas cidades de Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Pelotas (RS).
A diretoria do Butantan demonstrou tranquilidade em relação ao processo de auditoria aberto pelo governo federal. Em entrevista à AgênciaSP, agência estadual de notícias paulista, o médico Ésper Kallas, diretor-geral do Instituto Butantan, defendeu o valor do imunizante e pediu cautela na análise dos episódios adversos.
“A gente tem de entender a natureza dessa investigação. A vacinação poderá ser retomada e isso depende desse processo de discussão. A gente é confiante que a vacina é uma importante arma no combate à dengue e devemos basear essa retomada em dados muito rigorosos e criteriosos, e em metodologia científica”, declarou Kallas.
Vacinação para adolescentes segue ativa no SUS
É importante destacar que a suspensão determinada pelo Ministério da Saúde atinge especificamente o lote e o modelo do imunizante desenvolvido pelo Butantan sob análise. A campanha de imunização contra a dengue voltada para o público adolescente continua ocorrendo sem interrupções em toda a rede de postos do Sistema Único de Saúde (SUS) .
As autoridades sanitárias reforçam que as vacinas disponíveis para o calendário infantojuvenil cumprem integralmente as exigências de segurança. Paralelamente às campanhas de vacinação, médicos e especialistas alertam que a imunização deve ser combinada com ações domésticas contínuas para a eliminação de água parada e potenciais focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti — vetor responsável também pela transmissão do vírus da zika e da chikungunya.
Desde janeiro, quando a vacina passou a ser utilizada no Sistema Único de Saúde, aproximadamente 501 mil pessoas receberam o imunizante em todo o Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, a maior parte dos vacinados é formada por profissionais da atenção básica. A recomendação do governo é que os imunizados observem o surgimento de sintomas incomuns nos 21 dias seguintes à aplicação.