Notícia

Gazeta de Varginha

Butantan inaugura centro de toxinologia

Publicado em 30 julho 2007

Pesquisadores abriram na quarta-feira (27) uma nova temporada de caça a moléculas da biodiversidade brasileira com a inauguração das novas instalações do Centro de Toxinologia Aplicada (CAT) do Instituto Butantan. O projeto, de US$ 7 milhões, nasceu de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e quatro laboratórios da indústria farmacêutica nacional.

Em operação desde 2000, o CAT busca cumprir uma das maiores promessas da ciência brasileira, que é a identificação de moléculas naturais de interesse farmacológico a partir das toxinas de espécies da fauna e flora nacionais. O portfólio desenvolvido nos últimos sete anos já inclui 11 patentes depositadas e licenciadas para empresas farmacêuticas, que então tentam transformar esse conhecimento científico em medicamentos de fato.

Os laboratórios, que antes estavam espalhados pelo Butantan, foram reunidos sob um único teto, completamente reformados e embutidos com novos equipamentos - uma diferença logística e tecnológica que, segundo os cientistas, deverá permitir um salto significativo nas pesquisas. "O que havia antes era uma república de laboratórios", disse o coordenador do CAT, Antonio Carlos Martins de Camargo. "Agora podemos dizer que temos um centro de verdade."

A lista de moléculas já identificadas pelo centro inclui proteínas isoladas do veneno de serpentes, taturanas, e até da saliva de uma espécie de carrapato, com propriedades anticoagulantes. Entre as descobertas mais recentes está uma proteína com efeito antiinflamatório isolada da toxina do peixe niquim, típico de águas salobras do Norte e Nordeste.