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Butantan e MSD firmam parceria para produção de vacina contra dengue

Publicado em 12 dezembro 2018

O Instituto Butantan e a farmacêutica americana MSD assinaram nesta quarta-feira (12) acordo de parceria para pesquisa e produção da vacina contra a dengue. Com o acordo, o Butantan irá fornecer informações sobre o imunizante que está em fase final de testes no Brasil e poderá receber até US$ 101 milhões.

O imunizante que é foco da parceria foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, laboratório ligado ao governo do Estado de São Paulo, em parceria com o NIH (Institutos Nacionais de Saúde), do governo dos EUA. O Butantan é dono da patente para produção da vacina nos EUA. O fármaco está em sendo testado com 17 mil voluntários em 14 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil.

A cepa da vacina que é foco da parceria foi desenvolvida pelo NIH (Institutos Nacionais de Saúde), do governo dos EUA. O Instituto Butantan, laboratório ligado ao governo do Estado de São Paulo, e a MSD desenvolvem vacinas próprias contra a dengue, mas a do Butantan está em estágio mais avançado. Em maio deste ano, o Butantan adquiriu a patente para produção da vacina nos EUA. O fármaco está em sendo testado com 17 mil voluntários em 14 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil. A expectativa é de que a produção comece no fim de 2019. A distribuição para a população depende do fim dos estudos.

No acordo de troca de conhecimentos firmado entre Instituto Butantan e MSD, o laboratório público brasileiro poderá ter acesso a dados de testes da vacina em regiões do mundo onde a gigante farmacêutica atua, como países asiáticos. A MSD poderá, por sua vez, acelerar seu processo de desenvolvimento do imunizante. O Butantan também poderá receber royalties sobre as vendas da vacina da MSD no exterior. O instituto continuará responsável pela fabricação e comercialização de sua vacina no Brasil.

O Butantan já possuía parcerias com a MSD para transferência de tecnologia para a produção de vacinas contra HPV e hepatite A.

No acordo firmado entre Instituto Butantan e MSD, o laboratório público brasileiro será responsável pela produção e distribuição do imunizante em todo o Brasil..

O Butantan já possuía parcerias com a MSD para transferência de tecnologia para a produção de vacinas contra HPV e hepatite A

Corrida pela vacina

Há hoje uma corrida entre laboratórios públicos e empresas farmacêuticas para desenvolver uma vacina segura e eficaz contra a dengue para ser produzida em larga escala. Há quatro sorotipos do vírus da dengue, que são transmitidos pela picada do mosquito Aedes aegypti. A doença é endêmica em mais de 110 países diferentes, principalmente em regiões tropicais da Oceania, África, Caribe e América.

Quem é infectado por um dos quatro sorotipos do vírus fica imunizado contra aquele determinado sorotipo, podendo contrair a doença se contaminado pelos outros três. A segunda infecção pela doença tende a ser mais grave.

A primeira vacina do tipo a chegar ao mercado foi a Dengvaxia, da empresa francesa Sanofi, que acabou fracassando por possuir eficácia relativamente baixa, de 66%, e principalmente por ser contra-indicada para quem nunca teve dengue na vida.

As vacinas da japonesa Takeda e do Instituto Butantan (em conjunto com o NIH) são as que estão em fase mais adiantada de testes. Ambas prometem superar a Dengvaxia com um produto que ofereça proteção mais eficaz e sem contra-indicações.

Vacina do Instituto Butantan

A vacina contra a dengue do Instituto Butantan é uma vacina tetravalente feita com vírus atenuada que protege contra os quatro tipos existentes da doença. Dados preliminares indicam que a vacina do Butantan é segura para pessoas de 2 a 59 anos, inclusive as que nunca tiveram a doença anteriormente, induzindo o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro sorotipos.

De acordo com Alexander Preciso, diretor de Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância no Instituto Butantan, a eficácia esperada da vacina é de mais de 80% e seria garantida com apenas uma dose. Os estudos, contudo, ainda não foram concluídos.

Os vírus que compõem o imunizante, chamado TV003/TV005, foram atenuados em laboratório do NIH, nos EUA. O Instituto Butantan recebeu esses vírus e desenvolveu a vacina. Em maio deste ano o Butantan conseguiu patentear nos EUA o processo de produção da vacina.

O projeto já teve investimento no Brasil de R$ 224 milhões, oriundos da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa), do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), da Fundação Butantan e do Ministério da Saúde.

Terminada a etapa de testes clínicos, poderá ser feito o pedido de registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão responsável pela autorização da aplicação da vacina no país.

Anunciado em 2015, o imunizante foi inicialmente prometido pelo então governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) para 2017. A queda do número de casos da doença no País impediu a aplicação do imunizante nos grupos voluntários, atrasando o estudo. A promessa do governo do Estado previa ainda a construção de uma fábrica para a produção das doses, que deveria estar pronta no fim do ano passado, mas que também não foi concluída na data estimada. A nova previsão é para 2019.

Vacina da Sanofi

A Sanofi revelou em novembro que a Dengvaxia - a primeira vacina contra a dengue desenvolvida no mundo - pode aumentar o risco de doenças graves em pessoas que nunca foram expostas ao vírus.

A vacina, indicada apenas para quem tem entre 9 e 45 anos, possui eficácia global de 66%.

A vacina continua presente no mercado. Contudo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que a Dengvaxia não deve ser aplicada em quem ainda não teve dengue, ou seja, indivíduos soronegativos.

De acordo com a Anvisa e a OMS, estudos feitos pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, fabricante da vacina Dengvaxia, mostram que a vacina provoca aumento do risco de dengue severa e de hospitalização em quem nunca teve a doença.