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Publicado em 16 maio 2007

Pesquisas da USP pretendem identificar e apresentar alternativas para os problemas da saúde pública de Ribeirão

LUCAS REIS

A USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto vai investir R$ 4 milhões em 11 projetos de pesquisas com o intuito de apresentar soluções para os problemas que o sistema público de saúde do município apresenta.

Ao todo, cerca de 56 profissionais da saúde do campus de Ribeirão, entre professores e pesquisadores de diversas áreas, vão atuar durante sete meses em unidades básicas de saúde do Distrito Oeste da cidade. Os especialistas vão conhecer de perto as dificuldades enfrentadas nas unidades básicas e orientar os funcionários ali presentes.

Os projetos pretendem identificar e apresentar soluções para os problemas enfrentados pelo SUS. Os recursos são provenientes da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo), do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Fundação Waldemar Barnesley Pessoa.

"São dois os principais objetivos desse trabalho: identificar os problemas do acesso da população à saúde pública e fortalecer esse atendimento", explicou o professor José Sebastião dos Santos, da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), coordenador de dois dos projetos apresentados e ex-secretário da Saúde de Ribeirão.

Todas as unidades de ensino do campus de Ribeirão participam da iniciativa, englobando várias etapas do sistema de saúde pública, desde a avaliação de dispositivos para o fortalecimento do município até uma linha específica que vai avaliar os processos judiciais para o acesso a medicamentos.

"As propostas revelam uma universidade propositiva, que não somente identifica problemas mas, acima de tudo, leva soluções para os gestores", disse Santos, que disse esperar o apoio da Secretaria Municipal da Saúde durante as atividades.

O lançamento do projeto, em abril, contou com a participação do professor Adib Jatene, ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso e recebeu elogios do atual ministro, José Gomes Temporão, que conheceu o projeto através de representantes do ministério que estiveram no local.

Na ocasião, Temporão elogiou a iniciativa dos profissionais e ressaltou a importância da interferência das universidades em melhorias para a comunidade. "Quanto mais gente qualificada estiver pensando e propondo soluções para a gestão do SUS, melhor."

Município

De acordo com o secretário da Saúde de Ribeirão, Oswaldo Cruz Franco, a solução dos problemas da saúde pública, não só no município, depende muito mais da ajuda do governo federal.

"É claro que esses projetos de pesquisa da USP vão ajudar a equacionar e identificar os problemas, mas a questão envolve vários pontos que são mais complexos", disse.

Para ele, além de ajudar a saúde pública, a intenção dos pesquisadores é estimular os projetos de pesquisa da universidade. "Acho que essa ajuda serve mais no ponto de vista acadêmico da USP", disse o secretário, que já confirmou o apoio da Prefeitura. "Já participamos da apresentação do projeto e assinamos o apoio formal", disse.

Pastor morre em UBS no Aeroporto

Um pastor de uma igreja evangélica morreu ontem em Ribeirão depois de ser atendido na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Aeroporto, Zona Norte da cidade.

Segundo seus familiares, o pastor teve um ataque cardíaco na UBS e teria morrido porque a unidade não dispunha de um desfibrilador (aparelho usado para reanimar pacientes com casos de parada cardíaca).

O uso do desfibrilador é obrigatório, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, apenas nas cinco Unidades Básicas Distritais de Saúde (UBDS) de Ribeirão.

"Mesmo assim nós planejamos instalar desfibriladores nas UBSs da cidade para oferecer um conforto a mais aos usuários", disse o secretário, Oswaldo Cruz Franco, ontem sobre o caso.

Ele disse que uma investigação interna será realizada pela secretaria para apurar as causas da morte do pastor evangélico.

O uso do desfibrilador foi recentamente tema de reportagem da Gazeta de Ribeirão. A reportagem indicava que locais com grande concentração de pessoas na cidade não possuem o equipamento.

No caso mais conhecido em que poderia ter salvado uma vida, o desfibrilador deixou de ser utilizado a tempo para socorrer o jogador de futebol Serginho, do São Caetano, que morreu em uma partida contra o São Paulo no Morumbi.

Segundo especialistas, o desfibrilador pode salvar a vida de um paciente se usado de forma correta.

Gaz