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Burocracia prejudica universidades brasileiras em rankings

Publicado em 05 março 2013

Apesar de contar com a Universidade de São Paulo (USP) na lista das 100 instituições de ensino superior com melhor reputação no mundo, o Brasil ainda está longe de alcançar as nações desenvolvidas na qualidade dos cursos de graduação.

De acordo com o editor do ranking de reputação do Times Higher Education (THE), divulgado nesta segunda-feira, um dos empecilhos para o País avançar está na burocracia presente nas universidades públicas.

"As melhores universidades têm autonomia, liberdade que lhes permitem ser dinâmicas. As instituições brasileiras ainda sofrem com a burocracia", afirma Phil Baty. Segundo ele, na América Latina as melhores universidades são públicas, mas ainda estão na dependência de governos para investir e crescer. O mesmo não ocorre com as instituições que estão no topo do ranking do THE, como as americanas Harvard e MIT, instituições privadas com liberdade para buscar parcerias e expandir as atividades.

O diretor científico da Fundação de Aparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, concorda que a autonomia é um importante diferencial e lembra que, mesmo a USP e a Unicamp, universidades estaduais de São Paulo com o melhor desempenho nos rankings, sofrem com impedimentos legais. "Nas universidades estaduais paulistas há problemas relacionados a isso (burocracia), mas são menores do que aqueles do sistema federal porque trabalham em regime de autonomia completa em relação ao governo", afirma.

Ele cita como alguns "empecilhos" provocados pela legislação, as dificuldades em fazer novos investimentos pela necessidade de atender exigências específicas do setor público quanto a licitações, por exemplo. "Mesmo assim, em São Paulo as universidades estaduais, por causa da autonomia em relação ao governo,são mais eficientes. Pode-se, por exemplo, contratar um novo professor quando outro pede demissão sem precisar de autorização do governo como ocorre nas instituições federais".

Segundo ele, essa autonomia maior é um dos diferenciais das universidades paulistas em relação às demais nos rankings internacionais. Ele ainda aponta como fundamentais a tradição da USP e da Unicamp de valorizar o mérito, buscando os melhores alunos e professores, e também o investimento em pesquisa. "O Estado de São Paulo dedica ao ensino superior e a pesquisa um montante de recursos 10 vezes superior ao que o Rio de Janeiro destina e 23 vezes maior ao que Minas Gerais", afirma.

Segundo ele, somente em 2010 foram mais de R$ 5 bilhões liberados para o desenvolvimento da pesquisa por meio das universidades e da Fapesp.

Idioma

O editor do ranking THE ainda cita como um empecilho para o País avançar a falta de incentivo ao inglês como idioma para a publicação de pesquisas científicas. Segundo ele, isso prejudica a internacionalização das universidades. De acordo com Hernan Chaimovich, coordenador dos centros de pesquisas da Fapesp e professor da USP, as instituições precisam avançar neste quesito.

"Quando se observa a distribuição dos diferentes atributos que levam ao conceito final, a USP, melhor da América latina, tem o seu pior desempenho no item International Outlook. A melhoria nesse item necessita incorporar esse conceito (idioma) como valor estratégico", afirma o pesquisador ao destacar a importância de tornar as instituições globais.

No entanto, Carlos Henrique de Brito Cruz faz uma ponderação sobre os rankings internacionais. "A língua não é o que define a qualidade da pesquisa. Tem muita coisa boa sendo feita em português, francês, espanhol, mas esses rankings tem um defeito de, ao aferir visibilidade, levarem em conta muito mais o mundo anglo-saxão do que o mundo como um todo", completa o diretor científico da Fapesp.

Fonte:www.terra.com.br