Notícia

A Tarde (BA)

Buracos negros sugam energia de galáxias

Publicado em 25 abril 2010

Agência Estado e Fapesp

Na ficção científica, os buracos negros aparecem invariavelmente como formações misteriosas e com grande capacidade de destruir tudo o que passar por perto.

A realidade, conforme aponta um novo estudo, liderado por cientistas da Universidade de Nottingham e do Imperial College London, no Reino Unido, parece ir nessa linha.

Segundo a pesquisa, buracos negros supermassivos são capazes de arrancar de galáxias imensas os gases necessários para a formação de novas estrelas, deixando gigantes vermelhas envelhecerem até desaparecer, sem que novas estrelas sejam formadas para substituí-las.

Os astrônomos usaram imagens obtidas do telescópio espacial Hubble e do observatório de raio X Chandra para detectar buracos negros em galáxias distantes.

Os pesquisadores analisaram galáxias que emitiam altos níveis de radiação e de raio X, que se configuram assinatura clássica de buracos negros que devoram gás e poeira por meio do processo conhecido como acreção, ou atração de matéria por meio da força gravitacional.

Nesse processo, à medida que a matéria se movimenta pelo horizonte de eventos de um buraco negro, ela se aquece e irradia energia em um disco de acreção.

Em buracos negros supermassivos essa radiação pode atingir proporções gigantescas, com a emissão de raio X em quantidade muito superior à soma das emissões de todos os outros objetos da galáxia. Ou seja, o buraco negro acaba brilhando mais do que toda a galáxia da qual faz parte.

Raios-X

De acordo com os cientistas, a quantidade de energia liberada é tão grande que seria suficiente para roubar todo o gás da galáxia por pelo menos 25 vezes.

O estudo aponta que a grande maioria da radiação em raio-X presente no Universo é produzida por esses discos de acreção que envolvem os buracos negros.

A energia liberada por esses discos é tão grande que é capaz de aquecer os gases frios contidos no coração de galáxias massivas.

Ocorre que os gases precisam ser frios e densos para entrar em colapso sob o efeito da gravidade e formar novas estrelas.

Como o material resultante da fome do buraco negro é quente e de baixa densidade, ele precisaria esfriar antes que a gravidade pudesse ter algum efeito.

Mas o problema é que esse esfriamento demoraria ainda mais do que a idade atual do Universo, apontam os autores do estudo.

Depois que o buraco negro se alimentou, o resultado são que as estrelas velhas são extintas sem ter substitutas, deixando a galáxia escurecer Pesquisa indica que os buracos negros arrancam gases de imensas galáxias e morrer também. O estudo foi apresentado na Royai Astronomical Society em Glasgow, na Escócia.

Tritão

Segundo a primeira análise de infravermelho já realizada da atmosfera de Tritão, uma das luas de Netuno, o verão chegou com toda força ao hemisfério sul do astro.

Uma equipe europeia, usando o telescópio do Observatório Europeu Sul, descobriu monóxido de carbono e fez a primeira detecçãode metano no satélite já obtida a partir da superfície terrestre. As observações mostram que a densidade da atmosfera varia com as estações, aumentando no calor.

Encontramos evidências reais de que a presença do Sol ainda se faz sentir em Tritão, mesmo tão longe. A lua gelada tem estações como temos na Terra, mas elas mudam muito mais devagar, disse Emmanuel Lellouch, autor do artigo, publicado na revista especializada Astronomy Astrophysics.

Em Tritão, onde a temperatura média da superfície é de 2352 C negativos, o hemisfério sul encontra-se atualmente no verão e o norte, no inverno. Uma estação de Tritão dura mais de 40 anos. Netuno tem uma órbita de 165 anos ao redor do Sol. O sols-tício de verão na lua ocorreu em 2000,

Já a sonda orbital europeia Vénus Express completou uma campanha de uso de seus painéis solares como velas para captar um sopro tênue da atmosfera do planeta vizinho. O teste usou a sonda como um instrumento para medir a densidade atmosférica 180 km acima da superfície do planeta.