Notícia

Jornal do Commercio (RJ) online

Bunge entra no mercado de tintas

Publicado em 11 outubro 2005

Por Rodrigo Squizato

Universidade/Empresa

Um projeto de parceria entre universidade e empresa promete acirrar a disputa no mercado de pigmentos para tintas: com o uso da nanotecnologia, o Instituto de Química da Universidade de Campinas (Unicamp), em parceria com a multinacional Bunge, criou família de pigmentos brancos à base de fosfato de alumínio.
O produto será usado em tintas à base de água, como a aplicada em residências. Tradicionalmente, este tipo de revestimento é feito à base de dióxido de titânio. Contudo, além de ser mais caro, o material apresenta maior grau de toxidade. A nova opção, batizada Biphor, deve abocanhar fatia de segmento que movimenta US$ 5 bilhões anualmente.
Inicialmente, o produto será produzido em Cajati, Grande São Paulo, com capacidade de produção de mil toneladas por ano. A produção fica próxima de uma unidade de mineração da empresa. Os planos, porém, são mais ambiciosos.
Segundo o coordenador da pesquisa e professor do Instituto de Química, Fernando Galembeck, a idéia é construir um parque fabril com capacidade para 50 mil toneladas por ano. Em entrevista à agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), Galembeck informa que a Bunge espera conquistar em cinco anos 10% do mercado que atualmente pertence aos fornecedores de dióxido de titânio.
Este material é o insumo mais caro usado na fabricação de tintas. O substituto também mostrou excelente nível de opacidade, o que é benéfico para este tipo de produto e é fruto das características descobertas na nanoestrutura do fosfato de alumínio.
O novo pigmento, informa a Bunge, permitirá aos fabricantes de tintas aumentar a margem dos produtos comercializados sem prejudicar a qualidade final. A empresa afirma que o novo material é mais durável do que o dióxido de titânio. Apesar de todas as vantagens divulgadas, ao menos em uma fase inicial o dióxido de titânio não será totalmente aposentado. Os experimentos levaram em conta a substituição de 50% do volume deste material pelo Biphor.
US$ 1,5 bi em 2004
O mercado brasileiro de tintas movimentou US$ 1,5 bilhão em 2004. Deste total, US$ 888 milhões são de vendas de tintas imobiliárias, no qual o Biphor pode ser usado. O restante se divide em tintas para a pintura (US$ 107 milhões) e repintura (US$ 139 milhões) automotiva e para outros segmentos como móveis e eletrodomésticos (US$ 366 milhões).
Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) mostram que este mercado é disputado por cerca de 300 empresas com um total de 16 mil postos de trabalho. Em 2004, 913 milhões de litros de tinta foram comercializados no Brasil.
A Bunge é uma das grandes empresas mundiais do setor de agronegócios. No Brasil, controla marcas como o óleo Salada, as margarinas Delícia e Primor e os fertilizantes Iap e Manah. É exatamente do mercado de adubos que vem a sinergia para produzir pigmentos. Dois dos principais insumos do Biphor são os ácidos sulfúrico e fosfórico.
Em 2004, a empresa, que conta com mais de 11 mil funcionários e 300 instalações divididas em 16 estados, faturou R$ 23,2 bilhões.