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Bromélias: piscinas do sertão

Publicado em 03 março 2015

O ambiente árido e quente da caatinga baiana não é muito adequado para a preservação de pólens, que podem servir como forma de amostrar a diversidade vegetal presente e passada de uma região. Mas a bióloga Jéssica Gomes parece ter achado uma solução em seu trabalho de mestrado na Universidade do Estado da Bahia: a água retida nos tanques formados pela roseta de folhas das bromélias do gênero Aechmea são uma armadilha natural que captura esses minúsculos grãos reprodutivos (Acta Botanica Brasilica, abril/junho). Nos tanques de 10 bromélias adultas presentes na Estação Biológica de Canudos, no nordeste da Bahia, ela encontrou 149 tipos de pólen. Conseguiu alguma identificação para 88 deles, a maior parte até o nível de espécie, suficiente para concluir que as bromélias guardam uma boa amostra da vegetação local, assim como identificar as 10 espécies mais representativas da caatinga. Mas não dá para tomar a informação de forma completamente literal: duas das espécies representadas não existem na área de estudo, indicando que o pólen deve ter sido transportado desde regiões vizinhas pelo vento ou por algum animal. Ao mesmo tempo, plantas floridas presentes na área não necessariamente estavam representadas na amostragem. Mesmo assim a coleção de pólen nessas minipiscinas pode ajudar a caracterizar a flora desse bioma.

Revista Pesquisa / FAPESP

Para maiores informações ir ao enlace:

http://revistapesquisa.fapesp.br/es/2014/10/16/piscinas-en-el-semiarido/