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Brito Cruz faz introdução às mudanças climáticas no Projeto Aulas Magistrais

Publicado em 01 junho 2011

Por Luiz Sugimoto

O professor Carlos Henrique de Brito Cruz, ex-reitor da Unicamp e atual diretor científico da Fapesp, foi o convidado desta quarta-feira no Projeto Aulas Magistrais, organizado pela Pró-reitoria de Graduação para levar aos estudantes temas de interesse geral da comunidade acadêmica e também da sociedade. Docente do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), ele ofereceu uma "Introdução às mudanças climáticas globais", assunto que foge da sua especialidade, mas ao qual vem se dedicando nos últimos anos por força do cargo.

Na Fapesp, Brito Cruz idealizou um programa de pesquisas sobre mudanças climáticas globais, em 2007-2008, que está em andamento, e depois foi indicado para o comitê constituído pela Organização das Nações Unidas para analisar e propor melhorias no trabalho do Painel International de Mudança Climática (IPCC), que congrega mais de 3 mil cientistas de 194 países. "Em 2010 houve uma série de críticas ao IPCC e o secretário-geral da ONU formou um Painel de Academias de Ciências para organizar este comitê com doze pessoas e do qual fiz parte. Meu envolvimento com as mudanças climáticas vem desta prática".

O docente da Unicamp explica que a complexidade do problema climático, com todos os seus impactos sociais e econômicos, torna extremamente difícil um consenso sobre o que está realmente acontecendo com o planeta e o que precisa ser feito. "Por isso, a ONU criou o IPCC, cujo papel não é criar ciência nova, mas levantar artigos científicos contendo os últimos resultados a respeito, por exemplo, da concentração de gás carbônico e diminuição de geleiras, ou indicar a necessidade de novas tecnologias para tais medições. A cada quatro ou cinco anos, o IPCC deve apresentar um relatório para que os governos tomem suas providências e a ONU busque um acordo global".

Na aula que concedeu no Ciclo Básico 1, Brito Cruz, antes de mostrar como funciona o IPCC, voltou bastante no tempo para contar como Fourier, em artigo de 1827, introduziu a hipótese de existência de um efeito estufa; como Tyndall, em 1863, indicou a influência da concentração de CO2 na atmosfera, devido às atividades humanas, no aquecimento do planeta; e como Charles Keeling, em 1957, iniciou o mais impactante experimento para medir esta concentração e que eliminou qualquer dúvida quanto ao aumento de CO2. "Um deputado me provocou, questionando por que os cientistas demoraram tanto para denunciar o perigo das mudanças climáticas. Respondi que fazemos isso desde 1827 e que a demora foi dos políticos".

Perguntado se acreditava na reversão ou mesmo estancamento do aquecimento global, Carlos Henrique de Brito Cruz limitou-se a elogiar o esforço e os progressos de vários países nesse sentido, ao utilizar menos energia fóssil ou melhorando a eficiência no uso. "O problema, entretanto, ainda está aberto. Além da falta de consenso no campo político, também existem questões científicas muito difíceis e ainda não resolvidas, como o papel das mudanças climáticas nos chamados eventos extremos (furações, secas, tempestades). E, também, se existiria um ponto a partir do qual seria impossível retornar e, existindo, qual é".