Notícia

Lumière

Britânicos apóiam a energia nuclear

Publicado em 18 janeiro 2006

Agência FAPESP
O interesse sobre as mudanças climáticas é grande na Grã-Bretanha, onde 91% da população acredita que elas estão realmente ocorrendo. O dado, de estudo feito na Universidade de East Anglia, divulgado nesta terça-feira (17/1), em Londres, também fez outra revelação importante.
Entre os 1.491 entrevistados, na Inglaterra, Escócia e País de Gales, 54% admitiram concordar com a continuidade do uso da energia nuclear se isso for importante para reduzir as emissões de carbono na região. O assunto é importante, uma vez que o governo do Reino Unido começa, na próxima semana, uma grande revisão sobre o futuro de suas matrizes energéticas.
A aceitação nuclear é feito com várias ressalvas, segundo o levantamento. Apesar de concordar com a opção energética, 78% dos entrevistados afirmaram que o ideal seria investir, antes de mais nada, em energias com fontes renováveis. Outros 76% acreditam que o melhor é reduzir o uso de energia elétrica por meio de mudanças no estilo de vida ou pela adoção de tecnologias mais eficientes.
A Grã-Bretanha tem hoje 12 usinas nucleares em funcionamento para geração de energia, que abrigam 23 reatores no total. O grande problema é que nos próximos 25 anos a capacidade de operação estará praticamente esgotada. Um quarto da energia utilizada hoje na região é extraído das reações nucleares. Os cálculos indicam que esse tipo de geração de energia reduz em até 14% a emissão de carbono sob responsabilidade britânica.
Quando perguntado sobre a renovação das usinas existentes, sempre no contexto da ocorrência das mudanças climáticas, 34% do público concordou com a medida. A mesma porcentagem defende que as fontes nucleares atuais sejam utilizadas apenas até o fim de sua vida útil. Outros 9% declararam ser favoráveis à construção de mais reatores. Os que querem o fechamento imediato de todas as usinas representaram 15% da amostra.
Para Nick Pidgeon, coordenador da equipe responsável pela pesquisa, está claro que a população tem um conhecimento sofisticado do problema, muito maior que os tomadores de decisão acreditam. Segundo disse em comunidado da Universidade de East Anglia, todo o intrincado contexto revelado pela pesquisa precisará ser incorporado na revisão que terá início na próxima semana.