Notícia

Unesp

Britânica quer ampliar pesquisa sobre migrantes brasileiros

Publicado em 26 agosto 2013

Por Marcos Jorge

O campus da Unesp em Rio Claro recebeu a visita da professora Cathy McIlwaine, da Universidade Queen Mary, em Londres, entre os dias 18 e 24 de agosto. A britânica lecionou uma disciplina no curso de pós-graduação em geografia sobre as relações de trabalho em processos de migração. Além disso, Cathy também discutiu a viabilidade de um projeto conjunto entre as duas instituições focando o impacto deste processo na família dos migrantes.

Os temas das aulas abordaram principalmente questões relativas à migração de latino-americanos para o Reino Unido, tema que a professora estudou por mais de dez anos na University of London, em Queen Mary. A visita teve o apoio da Fapesp e da pró-reitoria de Pesquisa da Unesp.

Além de ministrar o curso na Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), Cathy discutiu o desenvolvimento de um projeto de pesquisa em parceria com o professor José Gilberto de Souza em que o foco será a família dos trabalhadores que deixam o país. O próximo passo é levantar recursos junto às agências de fomento.

"Acredito que a maioria dos estudos sobre migração observa a situação do indivíduo que está em seu destino. Nossa idéia é olhar para as famílias que permanecem no país, especialmente os jovens e crianças", afirma a britânica, que desenvolverá o projeto no laboratório Geo-Mundi, coordenado pelo professor Samuel Frederico.

Em 2007, a professora publicou um artigo abordando especificamente o trabalho de migrantes brasileiros em Londres. O texto se esforça para traçar um perfil da comunidade brasileira na cidade, levantando dados sobre gênero, trabalho, remuneração, motivação da viagem, entre outros pontos.

A questão do trabalho feminino é um dos pontos principais da pesquisa de Cathy McIlwaine em relação aos migrantes. No caso da comunidade brasileira na Inglaterra, constatou-se que as mulheres, em geral, tinham melhor formação educacional, ocupando mais posições de gerência e atividades qualificadas que os homens. Estes, por sua vez, ocupavam posições comumente identificadas com o universo feminino.

"Alguns homens encontram dificuldades em assumir esta realidade. Às vezes eles pertencem a famílias de classe média e não tinham o hábito de realizar atividades domésticas", explica a professora. "Alguns aceitam essa função e passam inclusive a cooperar com as atividades domésticas, cozinhar e cuidar das crianças, mas existem dados que relacionam este desconforto com o aumento da violência doméstica", explica.

Para a professora o crescimento econômico do Brasil e a crise na Europa não refletem necessariamente em uma redução da população de migrantes, uma vez que Londres ainda tem uma demanda grande em postos de trabalho pouco qualificados. "E do ponto de vista dos brasileiros, depende muito da região em que ele vive e qual a sua profissão no país de origem", pondera.