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Correio Popular

Bresser quer 'privatizar' gestão do CTI

Publicado em 23 fevereiro 1999

Por MARIA TERESA COSTA
O ministro da Ciência e Tecnologia, Luis Carlos Bresser Pereira, quer transformar o Centro Tecnológico para Informática (CTI), instalado em Campinas, em uma organização social. Será uma espécie de privatização da gestão deste centro de pesquisa que até janeiro era administrado por uma fundação, extinta por medida provisória. Além da mudança na gestão em fase de discussão - a idéia é que seja feita por uma associação pública de direito privado, onde os potenciais associados são os pesquisadores que têm projetos aprovados para execução na instituição e empresas com atividade em pesquisa e desenvolvimento - o ministro acha necessário redescutir a missão do CTI. "Este centro foi concebido num período em que havia reserva de mercado para a informática no País. Sua missão era desenvolver produtos que substituíssem a importação. Pode ter funcionado naquela época, mas hoje essa função se perdeu com a abertura de mercado", afirmou ontem, durante a inauguração do Laboratório de Microscopia Eletrônica do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Para ele não fazia mais sentido que o CTI continuasse a ser uma fundação por ser um órgão relativamente pequeno. Era, lembrou, o único centro entre os 14 institutos de pesquisa do governo federal que possuía uma fundação. Conforme o ministro, no máximo em um ano, o CTI deverá sofrer mudanças na gestão e poderá ser administrado, informou, por um conjunto de empresas ou entidades que se associarem. Desde setembro do ano passado, por iniciativa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e pela Associação das Empresas Brasileiras de Software e Serviços de Informática, começou a ser formada a Fundação de Apoio ao CTI e será esta entidade, possivelmente, que será credenciada como organização social para cuidar da gestão do CTI. Em Campinas, o primeiro centro de pesquisa do País a se transformar em organização social foi o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Os recursos para manutenção do laboratório continuam sendo federais, mas o laboratório ganhou autonomia para transferir ou vender tecnologia. O governo define as metas e cobra da entidade gestora a sua realização. Em Campinas, o Síncrotron é gerenciado pela Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS).