Notícia

DCI

Brasmetal aumenta receita com nova tecnologia em aço - Parceria com pesquisador agregou valor à fita baixo carbono

Publicado em 06 fevereiro 2004

Por Wagner Hilário
A Brasmetal Waelzholz, relaminadora de aço com 51% de capital nacional e 49% alemão, aumentou sua receita no último b em cerca de 50% sobre 2002. Uma das razões foi a obtenção de uma textura mais adequada na produção de fitas de aço de baixo carbono, usadas na fabricação de capas de ferros de passar, de pilhas e fechaduras. A inovação tecnológica se deu graças ao projeto otimização de microestrutura, que também abrange outros tipos de aço. desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Antenor Ferreira Filho, diretor Brasmetal, diz que o crescimento da empresa em 2003 se deu através da melhoria dos produtos, ao agregarem maior valor, e da aquisição de novas máquinas, o que aumentou a capacidade produtiva da empresa em 20%, hoje calculada em cerca de 60 mil toneladas por ano. Os investimentos para aumentar a capacidade produtiva foram de aproximadamente US$ 3 milhões. Em 2003, a empresa produziu 90% do seu potencial. A Brasmetal, que está no Brasil há 30 anos, tem em torno 360 funcionários e uma fábrica com três plantas. Os clientes somam cerca de 300, entre os quais a INA, empresa de rolamentos, e o Grupo Esab, que fabrica arames diversos e eletrodos revestidos. Filho afirma que as inovações obtidas ao longo de 2003 responderam por pelo menos 50% do crescimento na receita, e que desse percentual o projeto representou cerca de 70%. "O índice de rejeição às nossas fitas passou a ser zero'", informa. As fitas de aço de baixo carbono são usadas no processo de conformação de outros produtos e podem trincar. A inovação possibilita técnicas de produção que melhoram a textura e a estrutura da fita. De acordo com Filho, a Brasmetal em 2003 investiu US$ 5 milhões, contra US$ 3,5 milhões no ano anterior. O diretor conta que no projeto os investimentos ficaram entre R$ 60 mil e R$ 70 mil, feitos através do patrocínio de dois Workshops que originaram livros e CDs, também financiados pela Brasmetal, sobre textura cristalográfica. Filho explica que em 2004 a empresa busca repetir os níveis de crescimento de 2003, através de investimentos de no mínimo US$ 5 milhões. O diretor afirma que a Brasmetal deve atingir, este ano, a capacidade máxima de produção da fábrica e pelo menos manter as exportações, hoje responsáveis por 10% do fatura-mento da empresa. Projeto Angelo Fernando Padilha, coordenador dos estudos, diz que o projeto, em maio deste ano, faz cinco anos. Padilha informa que ele foi inteiramente financiado pela Fapesp, a um custo de aproximadamente R$ 345 mil e US$ 447,9 mil. "Os investimentos em dólar se devem às importações de equipamentos necessárias para a realização dos estudos", comenta Padilha. Padilha conta que além de trabalhos com aços de baixo carbono, o projeto inclui outros três tipos de aço: inoxidáveis, elétricos e compostos intermetálicos. O coordenador explica que, embora ainda não sejam usadas na indústria, as inovações para os inoxidáveis apresentaram excelentes resultados no combate à cavitação, um desgaste comum a esse tipo de aço. Os pesquisadores desenvolveram um aço com uma determinada quantidade de nitrogênio que em testes laboratoriais se mostraram de oito a 25 vezes mais duráveis que os atuais. De acordo com o International Iron and Steel Institute (IISI), a produção de aços inoxidáveis representa 2,2% da produção mundial de aços, de 962.5 milhões de toneladas em 2003. Mas uma fita de aço inoxidável custa de seis a oito vezes mais que uma fita de baixo carbono. Padilha diz que o Brasil representa cerca de 3,2% da produção mundial de aço, nono maior produtor, com 31,1 milhões de toneladas. Nos inoxidáveis, a participação é de 1,6%. O coordenador acredita que a inovação pode aumentar a produção e a participação da indústria de inoxidáveis no mercado mundial.