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Brasiltec incentiva aportes em pesquisas nas empresas

Publicado em 05 outubro 2005

Por Cíntia Borsato

Mais do que aproximar a pesquisa realizada em universidade das empresas e do mercado, a Brasiltec 2005 — 4º Salão Internacional de Tecnologia — quer incentivar as próprias corporações para iniciarem o investimento em inovações. De acordo com Ricardo Castello Branco, diretor da feira, o Brasil investe cerca de 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento, enquanto esta taxa atinge 4% em países desenvolvidos.
"Deste valor, 80% é oriundo do governo. Queremos mostrar aos empresários que está na hora deste quadro se reverter, que é necessário investir em pesquisa e obter retorno com as inovações", diz Castello Branco. O governo engloba desde os ministérios, como o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), até às instituições de incentivo a pesquisa, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Castello Branco diz ainda que o evento tem o objetivo de explicar, especialmente aos pequenos empresários, quais os benefícios da Lei de Inovação — que ainda não foi regulamentada. Segundo ele, as empresas deverão obter incentivos fiscais e terão mais acesso a linhas de financiamento se investirem em p&d. "O Brasil sempre foi um comprador de tecnologia estrangeira e conseguia utilizá-la por até três anos mantendo a competitividade do produto. Hoje, isso não é mais realidade. Em seis meses, a tecnologia já está obsoleta", diz.
Além das grandes empresas, que possuem maior receita para investir em pesquisas, Castello Branco acredita numa mudança de mentalidade dos pequenos empresários. "Algumas pequenas e médias empresas se organizaram e juntas
formam pólos de tecnologia no País. É o caso do pólo de calçados em Franca, interior de São Paulo, que está exportando a sua tecnologia", ele diz. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e as empresas incubadas ligadas as universidades, segundo o executivo, são bons exemplos.
A Innovatech Medical , empresa incubada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) na Universidade de São Paulo , participa da Brasiltec e vai expor seus equipamentos para uso em Medicina. O destaque são os stents — tubo de aço inoxidável pequeno e entrelaçado para introdução no vaso sangüíneo com um catéter-balão. A empresa vai expor os stents coronários, os periféricos (para a artéria jugular) e os filtros da veia cava (para prevenir a embolia pulmonar). Os filtros são desenvolvidos em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De acordo com Spero Penha Morato, diretor da Innovatech, a empresa tem uma produção piloto no Cietec capaz de suprir uma demanda de 500 stents por mês. Segundo o executivo, a demanda nacional pelo produto atinge 60 mil por ano, sendo o Sistema Único de Saúde (SUS) o maior comprador. Hoje, toda a demanda é importada e o objetivo da Morato é ser a primeira empresa nacional a comercializar o produto em escala industrial.
Os mais baratos stents importados, de acordo com Spero, custam cerca de R$ 2.500,00. A expectativa da Innovatech é produzir um produto com menor preço e que seja aproveitado no mercado nacional. Para isso, a empresa incubada fez uma rede de cooperação com o Instituto de Química da Universidade de Campinas (Unicamp) e o Instituto do Coração (Incor).
"Nós fabricamos o stent coronário, a Unicamp pesquisa fármacos para o recobrimento do produto e o Incor futuramente vai realizar testes", explica Morato. Este projeto faz parte do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investiu R$ 300 mil em três anos. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também apóia e investiu R$ 100 mil.
Outro exemplo de empresa que tenta estreitar a relação entre pesquisa e produto final é a Phitoplan Produtos Fitoterápicos . Incubada no Cietec, o laboratório pesquisa há cinco anos um produto fitoterápico, inédito no Brasil, que combata a sinusite e a rinite alérgica. "O Brasil tem 55 mil tipos de plantas, um mercado com grande potencial. Temos de deixar de ser fornecedores de matérias-primas", diz Alexandre Berbel, diretor da empresa.
O Phitoplan possui parceria com o Cintraflora, laboratório nacional especializado em encapsulamento de produtos naturais, com outros medicamentos. Assim que entrar na fase final da pesquisa do fitoterápico contra riniti e sinusite, que deve demorar mais três anos, Berbel afirma que a intenção é que o Cintraflora seja responsável pela produção. "Também aproveitamos o período de incubução para conhecer empresas estrangeiras e construir um caminho para a exportação", ele completa.
Durante a Brasiltec também vai ocorrer uma rodada de negócios. Segundo Branco, a feira conta ainda com a participação de uma missão de empresários da Rússia e da Polônia que vão participar da rodada de negócios e podem contribuir com a troca de informações tecnológica entre os países. "A Rússia deve trazer trabalhos em energia nuclear, aeronáutica e petróleo, já a Polônia vem com construção civil", afirma Branco. O evento, organizado e promovido pela Alcantara Machado em parceria com a Lemos Britto , ocorre de 5 a 8 de outubro no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.