Notícia

JC e-mail

Brasília no topo das estatísticas da produção de conhecimento - apesar da FAPDF

Publicado em 18 fevereiro 2013

Por Gustavo Lins Ribeiro

Os dados publicados pelo Correio Braziliense só confirmam minha antiga interpretação de que a capacidade de produzir conhecimento é a principal matéria prima de interesse público local. Usei fartamente esse argumento na campanha da criação da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF) quando fui secretário regional da SBPC no começo da década de 1990 e quando, por exemplo, o Carlos Alberto Torres era deputado distrital, na primeira legislatura da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), e, com o Wasny de Roure, foram nossos principais aliados na criação da FAP.

Infelizmente, tanto a CLDF virou o que é, mais um lugar de políticos, em geral, sintonizados com interesses menores, sem sentido de bem público, quanto a FAPDF simplesmente desapareceu do mapa, perdida no meio dos jogos partidários do toma lá da cá. Isso só mostra a ineficiência da classe política do DF que desconhece onde está e os recursos diferenciados que existem nesta unidade da federação. Reflete também o seu alinhamento com a ideia de que conhecimento não interessa. Ideia bizarra no mundo contemporâneo, a não ser que consideremos que a ignorância é o sustento de muitos políticos.

Enquanto isso, continuamos admirando a FAPESP como modelo de apoio à ciência na federação e os progressos feitos na FAPERJ, por exemplo. Os colegas paulistas contam com praticamente um outro CNPq para seu merecido usufruto. No Rio, as bolsas da FAPERJ têm ajudado a alavancar mais ainda uma comunidade já bastante diferenciada. Em outros estados as FAPs são levadas a sério.

Como vários colegas brasilienses sabem, está mais do que na hora que os cientistas, acadêmicos e pesquisadores do DF saiam em defesa da FAPDF. Primeiro, é preciso blindá-la das pequenezas da política medíocre. Segundo, limpar a área. Terceiro, fazer com que receba os recursos que lhe são efetivamente devidos. Quarto, colocar administradores que entendam de ciência, tecnologia, inovação, vida acadêmica e pesquisa.

Tarefa gigantesca! Mas os números divulgados estão a favor!

Artigo de Gustavo Lins Ribeiro* encaminhado ao Jornal da Ciência

Gustavo Lins Ribeiro é Professor Titular do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília; Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais - ANPOCS e  Vice-presidente da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences - IUAES

O conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.