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Campo & Negócios

Brasileiros lançam tecnologia que automatiza aplicação aérea de defensivos

Publicado em 13 maio 2018

Por Luize Hess

Engenheiros brasileiros, com o apoio da FAPESP, desenvolveram uma tecnologia que promete racionalizar a aplicação aérea de defensivos agrícolas, envolvendo um novo algoritmo e equipamentos para automatização da aplicação dos agrodefensivos. A pesquisa foi realizada pela NCB Sistemas Embarcados Ltda.

O procedimento tradicional envolve o voo ao longo de faixas paralelas e perpendiculares da lavoura, no sentido do vento, com algumas passagens repetidas sobre determinados segmentos na tentativa de garantir a cobertura total da área desejada.

A nova tecnologia substitui o procedimento de controle e atuação manual por um equipamento dotado de um hardware embarcado e um sistema eletromecânico com sensor e atuador que, integrado aos demais componentes da plataforma, auxilia na realização da aplicação autônoma, sem participação do piloto, podendo gerar uma economia de, no mínimo, 10% de agrodefensivos e de 5% de combustível.

Fluxômetro

Fernando Garcia Nicodemos, sócio-diretor de pesquisa e desenvolvimento da NCB, explica que o principal componente desenvolvido é um fluxômetro utilizado para o acompanhamento em tempo real da vazão do agrodefensivo aplicado. Com ele, o piloto pode calcular diretamente no equipamento a vazão ideal de aplicação e a quantidade do insumo aplicado por meio de um totalizador.

Além disso, é possível realizar uma calibração simplificada de modo que a vazão monitorada represente realmente a do insumo aplicado, evitando-se o desperdício. O equipamento conta ainda com um monitor digital, que deve ser instalado no painel da aeronave, e um sensor do tipo turbina acoplado a um filtro, instalado na tubulação da parte externa inferior.?

Exatidão no processo

O que despertou Fernando Garcia para o projeto foi o fato da pulverização manual. “O piloto entra em uma faixa de pulverização e, de maneira visual, ele manualmente aciona uma alavanca para começar a pulverização.Quando vai sair dessa faixa de pulverização, ele fecha a alavanca. Isso era feito manualmente, e havia muita imprecisão, sem controlede velocidade, muito menos da vazão exata do líquido pulverizado. Isso porque muitas vezes o produto era calibrado com água, mas ele tende a ter outra viscosidade, trazendo um erro embutido”, explica.

Os outros pontos que chamaram atenção foi ineficiência de precisão do procedimento manual. Com a inovação, só na leitura de vazão a economia é da ordem de 5% do produto químico, além da precisão, que seria o controle de vazão, pois tudo é feito de forma elétrica.

Assim, o controlador de vazão começa a acionar no início da faixa, por meio de um botão elétrico, tornando o procedimento muito mais rápido e fácil de operar, e ainda sem prejuízos para a atenção e saúde do piloto. “Muitos deles tinham lesão por esforço repetitivo, e a atenção, porque ele voa de três a seis metros do solo, e precisa se concentrar. Até porque o índice de acidentes com aeronaves de aplicação agrícola é muito alto. O piloto precisa tomar decisões muito rápidas, então qualquer coisa que tire sua atenção é muito crítica”, alerta Fernando Garcia.

Agora, a NCB reformulou seu negócio e trabalhamos apenas com biológicos, especialmente na liberação de vespas/insetos, usando o inimigo natural ao invés de produto químico para controlar a praga. “Nos reposicionamos para oferecer soluções mais sustentáveis.E todo o conhecimento que tivemos desenvolvendo o projeto com a Fapesp contribuiu para desenvolvermos esses outros produtos para o controle biológico, que é o nosso maior mercado, dentro e fora do Brasil”, conclui.

Essa matéria você encontra na edição de maio de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar.