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Agência Gestão CT&I

Brasileiros integram experimento que observou ondas gravitacionais

Publicado em 12 fevereiro 2016

Um consórcio internacional de cientistas, integrado por pesquisadores do Brasil, confirmou nesta quinta-feira (11) a primeira detecção direta de ondas gravitacionais – oscilações do espaço-tempo previstas por Albert Einstein há um século – geradas pela colisão e fusão de dois buracos negros, que giraram um em torno do outro, como dois piões, irradiando energia. Os pesquisadores fazem parte do projeto Ligo (sigla em inglês de Laser Interferometer Gravitacional-wave Observatory), que reúne mais de mil cientistas de 90 universidades e instituições de pesquisa de 15 países.

Entre os participantes do projeto estão Odylio Denys de Aguiar, Marcio Constâncio Júnior, César Augusto Costa, Allan Douglas dos Santos Silva, Elvis Camilo Ferreira e Marcos André Okada, todos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Riccardo Sturani, pesquisador do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (IFT-Unesp). Eles participam por meio de projetos apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Essa primeira observação das ondas gravitacionais abre uma nova janela de observação do Universo e marca o início de uma nova era na pesquisa em Astronomia e Astrofísica”, avaliou César Augusto Costa, pesquisador do Inpe.

As ondas gravitacionais foram observadas em 14 de setembro de 2015, às 6h51, no horário de Brasília (DF), pelos detectores do Ligo. Contudo, a última tomada de dados terminou em janeiro e a análise completa deverá ser publicada em abril. As ondas têm amplitude um milhão de vezes menor do que o diâmetro de um próton e chegam à Terra com uma amplitude muito pequena. Contudo, têm um som característico, chamado de sinal sonoro, que pode ser usado para medir as massas de dois objetos.

“Foi a primeira vez que isso foi observado”, afirmou David Reitze, diretor executivo do projeto Ligo. “Os buracos negros têm apenas 150 quilômetros de diâmetro, mas 30 vezes a massa do Sol. Quando se fundem há uma grande explosão de ondas gravitacionais”, explicou.

Os pesquisadores estimam que a energia de pico liberada sob a forma de ondas gravitacionais durante os momentos finais da fusão dos buracos negros foi dez vezes maior do que a luminosidade combinada (a taxa na qual a energia é liberada como luz) de todas as galáxias no Universo observável.

Einstein

Causadas por alguns dos fenômenos mais violentos do Cosmos, como colisões e fusões de estrelas massivas compactas, a existência das ondas gravitacionais foi prevista por Einstein, em 1915, em sua Teoria da Relatividade Geral.

O cientista postulou que objetos massivos acelerados distorciam o espaço-tempo, produzindo mudanças no campo gravitacional – as ondas gravitacionais – que se deslocam para fora da massa e viajam à velocidade da luz através do Universo, levando informações sobre suas origens, além de pistas valiosas sobre a natureza da própria gravidade.

 

(Agência Gestão CT&I, com informações da Fapesp)