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Brasileiros desenvolvem técnica para produção de fígado em laboratório

Publicado em 22 fevereiro 2021

No Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), pesquisadores desenvolveram uma técnica para a reconstrução e produção de fígado em laboratório. Na próxima etapa, os pesquisadores pretendem adaptar a técnica para, futuramente, produzir fígados humanos para aumentar a disponibilidade do órgão para transplante.

Os pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) comentam que a prova de conceito do método foi realizada com fígado de ratos. O estudo, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) foi publicado na revista Materials Science and Engineering.

Luiz Carlos de Caires Júnior, pós-doutorando do CEGH-CEL, cita que "A ideia é produzir fígados humanos em laboratório, em escala, com o intuito de diminuir a espera por doadores compatíveis e os riscos de rejeição do órgão transplantado" afirma.

A metodologia do estudo é baseada em técnicas de bioengenharia de tecidos para a produção de órgãos para transplante, chamadas descelularização e recelularização. As técnicas consistem em submeter o órgão de um doador falecido - no caso, o fígado - a sucessivas lavagens com soluções detergentes ou enzimas, com o objetivo de retirar todas as células do tecido até restar apenas a matriz extracelular, com a estrutura e o formato originais do órgão. A matriz extracelular é recomposta com células derivadas do paciente receptor, a fim de evitar o risco de reações imunológicas e diminuir o risco de rejeição em longo prazo do órgão transplantado.

A coautora do estudo Mayana Zatz explica: "É como se o receptor recebesse um fígado recauchutado, que não seria rejeitado porque foi reconstituído usando suas próprias células. Ele não precisaria nem tomar imunossupressores". Mayana é coordenadora do CEGH-CEL.

Luiz Carlos reforça que "Muitos órgãos disponíveis para o transplante não são aproveitáveis porque são provenientes de pessoas que sofreram acidentes de trânsito. Por meio dessas técnicas é possível recuperar esses órgãos, dependendo de sua condição", afirma. O pesquisador também destaca que as técnicas desenvolvidas resolveriam este problema.

O projeto integra uma das linhas de pesquisa do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL), voltada à fabricação ou reconstrução de órgãos para transplante por meio de diferentes técnicas.

Com informações do UOL