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Brasileiros desenvolvem marcador capaz de identificar câncer de pâncreas

Publicado em 03 outubro 2018

Cientistas brasileiros conseguiram desenvolver um dispositivo de baixo custo capaz de detectar o biomarcador do câncer de pâncreas com alta sensibilidade e seletividade. Apesar de ser considerado um tipo de tumor raro no Brasil, a doença é altamente letal por ter sintomas que demoram para aparecer e quando surgem, indicam estágio avançado, tornando o tratamento mais difícil.

Com o apoio da Fapesp, que apoia o projeto, os pesquisadores construíram um biossensor que demonstrou conseguir identificar o biomarcador do câncer de pâncreas em amostras reais de sangue e de células tumorais em uma faixa de relevância clínica, conforme informou um dos criadores do marcador e professor do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), Osvaldo Novais de Oliveira Junior.

Além de Oliveira, outros pesquisadores do IFSC-USP, em parceria com o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Hospital de Câncer de Barretos, e a Universidade do Minho, de Portugal, participaram do projeto.

O dispositivo é formado por duas lâminas em escala nanométrica (da bilionésima parte do metro), compostas por ácidos e anticorpos que reconhecem o antígeno CA19-9, proteínas existentes nas células cancerígenas.

“O antígeno CA19-9 não é completamente específico para detecção de câncer de pâncreas . Pacientes com pancreatite (inflamação do pâncreas) também podem apresentar alteração na produção dessa proteína”, explicou Oliveira.

Atualmente a detecção do CA19-9 é feita por meio do teste Elisa, que é um exame de sangue de alto custo e sensibilidade limitada, sendo difícil para detectar o tumor em estágio inicial.

“Produzimos o imunosensor com arquitetura mais simples possível para imobilizar anticorpos da proteína CA19-9. Para conseguir obter alta sensibilidade ao antígeno, a arquitetura de imunossensores que foi desenvolvida antes era mais complicada, utilizava mais materiais e tinha mais etapas de construção.”

Segundo o pesquisador, os resultados dos testes mostram que já é possível utilizar o imunossupressor na prática, mas há dois desafios: o de produzir os dispositivos em larga escala com os mesmos resultados e as análises de dados gerados pelos testes para estabelecer os padrões de detecção.

“Essas análises poderão ser feitas por meio de técnicas de computação, que permitem visualizar os dados em gráficos, e de seleção de atributos, que possibilitam escolher parte de um sinal gerado pelos testes para fazer distinções de padrões. Esse trabalho exigirá pesquisas com a participação de cientistas da computação”, disse.

Câncer de pâncreas

Tratamento de câncer de pâncreas pode incluir a remoção do órgão, radioterapia e quimioterapia

O pâncreas se localiza atrás da parte inferior do estômago, e é responsável por secretar as enzimas que auxiliam na digestão e hormônios que ajudam a regular os níveis de açúcar no metabolismo.

Para diagnosticar a doença, os sintomas do câncer de pâncreas costumam se dar com a perda de apetite e perda de peso de uma hora para outra, porém eles só ocorrem quando o tumor já atingiu uma evolução.

Por se espalhar rapidamente e ter um prognóstico ruim, a doença costuma ser detectada tardiamente. O tratamento do câncer de pâncreas pode incluir a remoção cirúrgica do pâncreas, radioterapia e quimioterapia.

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Saúde - iG @ https://saude.ig.com.br/minhasaude/2018-10-02/cancer-de-pancreas-deteccao-mais-rapida.html