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Brasileiros desenvolvem bateria mais eficiente e sustentável

Publicado em 22 fevereiro 2019

A tecnologia das baterias que usamos atualmente pode estar com os dias contados. Se as projeções dos especialistas se consolidarem, nas próximas décadas veremos um aumento significativo do uso de eletricidade e de fontes renováveis de energia. Se, por um lado, teremos novas formas de geração de energia, por outro, precisaremos pensar em jeitos mais eficientes e adequados para armazenar tudo o que for produzido.

Uma dessas soluções já está sendo pesquisada por cientistas brasileiros. “Nesse cenário, precisamos desenvolver equipamentos que guardem energia de maneira mais eficiente e avançada. As baterias geralmente guardam pouca energia e são pesadas. Estamos pesquisando as baterias lítio-ar, que podem ter uma maior capacidade de armazenamento e várias aplicações”, explica Rubens Maciel Filho, diretor do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), núcleo de pesquisa apoiado pela Fapesp. Se tudo ocorrer como o planejado, as baterias lítio-ar poderão ser usadas para carros, casas e indústrias. Por enquanto, elas só foram testadas em escala laboratorial.

Mais eficiente e sustentável

Para funcionar, as baterias lítio-ar usam o oxigênio como reagente. As moléculas de oxigênio do ar “entram” na bateria, se unem às de lítio e formam um óxido e, depois, esse óxido é “desfeito” e as moléculas se separam de novo. O lítio “fica” na bateria e o oxigênio “sai”, liberando energia.

Segundo Maciel Filho, um dos principais desafios tem sido fazer com que essa reação química aconteça de forma “perfeita”. “Ainda estamos trabalhando com condições controladas, mas já percebemos que as reações formam outros produtos além do óxido de lítio. Isso faz com que a eficiência da bateria caia conforme o número de ciclos vai aumentando”, explica.

Hoje as baterias lítio-ar ainda não conseguem liberar toda a energia armazenada. Para minimizar esses efeitos, os pesquisadores estudam maneiras de trabalhar com novos materiais, capazes de aumentar a eficiência.

O mecanismo de funcionamento das baterias lítio-ar também faz com que elas sejam consideradas mais sustentáveis. Enquanto outros tipos de bateria “soltam” no meio ambiente substâncias como o ácido sulfúrico, a lítio-ar, num cenário ideal, devolveria para natureza apenas o oxigênio. “Os produtos gerados pelas reações são menos danosos porque estamos guardando energia por meio do ar, que é ‘reciclável’. Com esse trabalho, estamos andando na linha de frente desse assunto. Isso contribui muito para a liderança do Brasil no trabalho com energias renováveis, que ajudam na descarbonização da nossa matriz energética.”

*Com supervisão de Isabela Moreira.