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Brasileiros descobrem como reabilitar rins após inflamação para transplante

Publicado em 11 maio 2019

Por Peter Moon  |  Agência FAPESP

Uma pesquisa inédita feita por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), no interior de São Paulo, descobriu um método capaz de tratar rins que seriam descartados e reabilitá-los para que possam ser transplantados. O objetivo é que diminua a fila e o tempo de espera de transplante do órgão no Brasil.

Atualmente os rins utilizados em transplantes vêm, em sua maioria, de doadores após morte cerebral. Esses órgãos são classificados em dois tipos: rins do tipo padrão (bons para serem transplantados) e rins diferentes do padrão ou rins de critérios estendidos –normalmente provenientes de doadores idosos e que, por isso, sa~o descartados ou têm maior índice de recusa por parte dos pacientes. O descarte desse tipo de rim é de 20% a 30% do total que chega aos centros de doações no país.

O estudo, publicado neste mês no Journal Transplantation Direct, identificou que os rins de critérios estendidos podem ter mais complicações por apresentarem inflamação de algumas moléculas. Essa inflamação geralmente acontece no momento em que o órgão é armazenado para a doação, podendo acontecer devido à falta de oxigênio e às baixas temperaturas a que o órgão é submetido durante o processo.

O que não se sabia é que, se essa inflamação for tratada, o rim se torna novamente “bom” para ser transplantado, sem problemas para o receptor.

Através de biópsias feitas nos rins de critérios estendidos, os pesquisadores conseguiram identificar quais as moléculas eram afetadas pela ação inflamatória, conseguindo assim desativá-las ou tratá-las e, consequentemente, reduzir a inflamação do órgão.

“Existem medicamentos que podem agir e diminuir esse processo inflamatório antes de se colocar esse órgão no receptor, diminuindo o índice de rejeição e descarte desses rins. Identificar essa maneira de tratamento e´ um passo importante que podemos dar em curto ou me´dio prazo, pois esses medicamentos ja´ existem no mercado para tratamento de outras doenc¸as”, diz Mário Abbud Filho, coordenador da pesquisa.

Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia mostram que cerca de 33,5 mil pacientes aguardam na fila por um transplante de rim no país. Agora, o próximo passo dos pesquisadores é tornar o tratamento logisticamente viável, ou seja, fazer com que medicamentos e rins doentes fiquem em locais próximos.

“Vamos aguardar a avaliação da crítica internacional sobre o resultado do tratamento e ver se algum laboratório nos ajuda a viabilizar esse processo”, afirma Abbud Filho.

O estudo tem apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e foi premiado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e pela Sociedade Internacional de Transplantes.