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Brasileiros criam molécula que pode tratar insuficiência cardíaca

Publicado em 31 janeiro 2019

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadores da Universidade de Stanford e de Case Western, nos EUA, conseguiram desenvolver uma molécula que pode ajudar no tratamento da insuficiência cardíaca – doença que pertence ao grupo de enfermidades que mais matam no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo foi publicado na revista Nature Communications.

A molécula, batizada com o nome SAMBA (sigla em inglês para Selective Antagonist of Mitofusin 1 and Beta2-PKC Association), foi testada em ratos e melhorou as contrações dos músculos cardíacos, mostrando resultados positivos durante a pesquisa, que começou em 2009, liderado pelo brasileiro Júlio César Batista Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

O estudo tinha como objetivo inicial investigar os problemas que prejudicam as células do coração durante o estresse provocado pelo infarto – uma das principais origens da insuficiência cardíaca. Os cientistas observaram em seguida os efeitos da administração da molécula SAMBA no organismo.

De acordo com o ICB, o tratamento com a molécula sintetizada impediu a evolução da doença. Os ratos com insuficiência cardíaca foram tratados por seis semanas com a molécula e mostraram não apenas que a doença estava estabilizada – o que os medicamentos atuais já fazem – mas também a melhora da condição. Com isso, perceberam que a doença melhorou todo o sistema cardíaco.

Contudo, ainda é necessário saber se os efeitos positivos serão os mesmos para os humanos. Segundo Júlio César Ferreira, a transformação da molécula em remédios leva mais oito anos de pesquisa até ser testada em pessoas com a doença.