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Universia Brasil

Brasileiros criam menor liga metálica do mundo

Publicado em 18 dezembro 2006

Átomos de ouro e prata enfileirados formaram uma cadeia de metais mínima até então inexistente no planeta. A menor liga metálica do mundo, só visível com auxílio de um microscópio eletrônico de alta resolução, foi criada pelos professores Sócrates Dantas e Pablo Zimmermman da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em parceria com os pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) Douglas Galvão e Daniel Ugarte.
O estudo foi publicado no início do mês pela revista britânica Nature Nanotecnology, conceituada mundialmente em nanotecnologia, ciência que se baseia na utilização de átomos na construção de novas estruturas e novos materiais.
Segundo os pesquisadores, a liga metálica é obtida por meio de uma chapa bem fina de ouro e prata, que recebe irradiações de elétrons de alta energia. Estes, por sua vez, evaporam determinadas regiões, formando buracos na lâmina. "As regiões entre os dois buracos vão, naturalmente, tencionando e acabam formando cadeias lineares, compostas por átomos de prata e ouro", explica Sócrates. O pesquisador esclarece ainda que os metais populares foram escolhidos por permitir boa visualização microscópica. "Poderia ser com platina ou ouro", revela.
Os primeiros experimentos específicos com metais começaram há um ano, mas a pesquisa em escala nanométrica (um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro) vem sendo desenvolvida desde 2002. "Inicialmente, trabalhamos com outros materiais. O estudo evoluiu naturalmente para ligas metálicas", disse Sócrates.
O próximo passo será a busca de aplicações para o nanofio. Um benefício possível é usar a liga metálica na interconexação de dispositivos eletrônicos, como diodos e transistores dos chips eletrônicos. "A tendência é que esses componentes fiquem ainda mais reduzidos. A liga metálica poderá, então, ser usada como condutor entre eles", explica. Outro exemplo de aproveitamento do estudo é na spintrônica, modalidade nova da eletrônica na qual elétrons carregam informações, além de energia elétrica.
A pesquisa que proporcionou a criação da menor liga metálica do mundo é patrocinada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Entre bolsas e projetos de pesquisa, foram investidos, até agora, aproximadamente R$250 mil no projeto, que utilizou um microscópio eletrônico de última geração do Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), avaliado em R$ 4,3 milhões. [O Estado de Minas]