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Brasileiro é um dos vencedores de prêmio global com polímero biodegradável a partir da celulose

Publicado em 23 novembro 2020

Anualmente o prêmio internacional Green Talents, iniciativa do Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha, seleciona os projetos de 25 jovens pesquisadores do mundo todo para promover o intercâmbio global de ideias sustentáveis e ecologicamente inovadoras. Na edição de 2020, um brasileiro está entre os selecionados: o engenheiro químico Filipe Vargas Ferreira, de 32 anos.

Doutorando da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ferreira, que é de Minas Gerais, concorreu com 589 candidatos de 87 países. Seu projeto tem como foco o desenvolvimento de nanomateriais poliméricos – plásticos -, e biodegradáveis para serem usados como embalagens e como implantes biomédicos.

De acordo com o engenheiro, atualmente são utilizados polímeros não biodegradáveis nessas áreas e a reciclagem não é recomendada, pois alguns medicamentos ou compostos ativos não conseguem ser removidos durante esse processo.

Para desenvolver o polímero, o engenheiro utilizou nanotecnologia para extrair cristais da celulose, que é abundante na natureza, e se mostrou bastante resistente.

“O prêmio é o reconhecimento de um trabalho que venho desenvolvendo durantes alguns anos. Mais importante que isso, o prêmio Green Talents é o reconhecimento mundial de uma pesquisa de ponta desenvolvida em uma universidade pública brasileira”, disse Ferreira, em entrevista ao Jornal da Unicamp.

O engenheiro afirma que ainda são necessários estudos a respeito da capacidade de proteção do polímero contra umidade e trocas gasosas.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, os 25 selecionados do Green Talents deste ano participaram, em outubro, de um tour virtual por instituições de pesquisa, universidades e organizações alemãs, que se dedicam à ciência da sustentabilidade para discutir seus projetos com especialistas locais.

A previsão é que, em 2021, os ganhadores poderão ir para a Alemanha, com estadia financiada pelo governo daquele país, para trabalhar em uma instituição que escolherem.

O engenheiro mineiro, que cursou mestrado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), já tem outras experiências internacionais. Estudou na Universidade de Stuttgart, na Alemanha, como bolsista do programa Ciência sem Fronteiras e realizou um estágio de pesquisa na Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Estima-se que 359 milhões de toneladas de plástico são produzidas, por ano, em todo o mundo. Desse total, entre 150 e 200 milhões delas são jogadas em aterros sanitários ou na natureza. Tentar reduzir esse descarte e seu consequente, impacto ambiental, aumentar a capacidade de reciclagem ou de uso de materiais alternativos é um dos principais desafios de cientistas, governos e empresas.

*Com informações adicionais da Agência Fapesp de Notícias