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O Dia (RJ) online

Brasileiro cria detector de enchentes iminentes e poluição

Publicado em 22 junho 2010

Uma rede de sensores desenvolvida pelo professor Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos, poderá alertar a Defesa Civil e outras autoridades para inundações iminentes. O projeto desenvolvido pelo cientista ainda é capaz de medir a poluição nos rios. As informações são da Agência FAPESP.

Segundo o professor, a poluição pode ser avaliada pela condutividade elétrica da água - quanto mais limpa, menos eletricidade a água pode conduzir. Ueyama afirma que a pesquisa para o desenvolvimento da rede de sensores surgiu a partir da sugestão do inglês Daniel Hughes, enquanto os dois cursavam doutorado na Universidade de Lancaster (onde Ueyama esteve entre 2002 e 2006), no Reino Unido.

O inglês desenvolveu um sistema de monitoramento de enchentes para os rios britânicos. "Na época, pensei na viabilidade de trazer essa ideia para o Brasil, que também sofre muito com enchentes", disse Ueyama à agência. A rede brasileira utiliza outro sensor e outro software, além de ser capaz de medir a poluição e de ter um sensor para detectar tentativas de furto do aparelho - quando "percebe" um movimento estranho, não natural, o equipamento emite um alerta para uma central. Outro sensor, submerso, é capaz de detectar variações de centímetros no nível da água através da pressão.

Painéis solares geram a energia que alimenta o sistema. Uma unidade central de processamento, pouco maior que uma caixa de fósforos, emite dados a uma distância máxima de 200 m e também pode contar com um aparelho de GPRS, que transmite dados por uma rede de telefonia celular. "Equipado com GPRS, o sensor poderia enviar mensagens de texto aos telefones celulares da Defesa Civil ou dos moradores de áreas de risco, alertando sobre uma enchente iminente", disse o professor da USP à agência.

Na prática Um projeto para a instalação da rede foi apresentado ao governo do Estado de São Paulo em maio e propõe a instalação de, pelo menos, 10 kits de monitoramento no rio Tietê, entre a ponte da Casa Verde e a ponte das Bandeiras. O pesquisador afirma ainda que o sistema poderia ser aplicado em outros Estados, já que utiliza software livre, que pode ser modificado sem custos para atender cada região.

Detector de gás metano e radioatividade Ueyama afirma que agora trabalha no aprimoramento do sistema, que poderia contar com detector de gás metano (para medir a quantidade de coliformes fecais presentes na água) e até de radioatividade, já que caminhões que passam na marginal Tietê podem vazar produtos radioativos na atmosfera. Além disso, ele procura materiais de maior resistência para a produção dos sensores, já que a poluição do rio pode causar corrosão nos atuais.