Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Brasileiro alerta para a poluição de oceanos

Publicado em 30 outubro 2013

Estima-se que 41% dos mares e oceanos do planeta se encontrem fortemente impactados pela ação humana, segundo estudos. Trata-se de um problema grave que não tem recebido a merecida atenção. Um exemplo está no ritmo de implementação da diretriz relativa à proteção marinha definida pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Aprovada por 193 países mais a União Europeia durante a 10a Conferência das Partes da CDB, realizada em Nagoya, Japão, em outubro de 2010, essa diretriz estabeleceu que, até 2020, pelo menos 10%das áreas costeiras e marinhas, especialmente aquelas importantes por sua biodiversidade, deveriam estar protegidas. Decorrido quase um terço do prazo, porém, as chamadas Áreas de Proteção Marinha (APMs) não cobrem mais do que 1,17% da superfície dos mares e oceanos do planeta.

Dos 151 países com linha de costa, apenas 12 excederam os 10%.E a maior potência do mundo, os Estados Unidos, dotada de extensos litorais tanto no Atlântico como no Pacífico, não aderiu ao protocolo.

Alerta

As informações, que configuram um alerta urgente, estão no artigo Politics should walk with Science towards protection of the oceans (lA política deve caminhar com a ciência na proteção dos oceanos”), assinado pelo brasileiro Antonio Carlos Marques, professor associado do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, e pelo uruguaio Alvar Carranza, pesquisador do Museu Nacional de História Natural, do Uruguai. Enviado ao Marine Pollution Bulletin, o texto, que será publicado como editorial da versão impressa do periódico, está disponível on-Iine em http://www.sciencedirect.com/science/artic1e/pü/S0025326X13004530.

O artigo também destaca que, com uma das mais extensas costas do mundo de 9.200 quilômetros, se forem consideradas as saliências e reentrâncias, o Brasil possui apenas 1,5% de seu litoral protegido por APMs. Além disso, 9% das áreas consideradas prioritárias para conservação já foram concedidas a companhias petroleiras para exploração. As costas altamente povoadas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maioria das reservas de petróleo do país.

Projetos

Os dados publicados são derivados de dois projetos apoiados pela Fapesp e coordenados por Marques: um projeto de auxílio à Pesquisa Regular, que apoia a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota Mar), e um Projeto Temático para pesquisar fatores que geram e regulam a evolução e diversidade marinhas. “Como um expediente para cumprir a meta, alguns governos têm criado Areas de Proteção Marinha gigantescas’ mas em torno de ilhas ou arquipélagos praticamente desabitados, muito distantes do próprio país”, disse Marques. “A maior APM do mundo, situada no arquipélago de Chagas, tem mais de meio milhão de quilômetros quadrados. É uma área enorme, que cumpre, com sobra, a meta do Reino Unido”, disse. O arquipélago faz parte do Território Britânico do Oceano Índico. (Com Agência Fapesp).