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BRASILEIRO ADAPTA TÉCNICA GRATUITA QUE REDUZ CÂNCER DE FÍGADO EM 80%

Publicado em 01 dezembro 2019

Médicos do Hospital da Clínicas de Botucatu, no interior de São Paulo, conseguiram desenvolver uma técnica capaz de reduzir tumores do câncer de fígado em 80%. Eles adaptaram um tratamento inovador chamado radioembolização – que custa em torno de R$ 40 mil em hospital particular – e fizeram a versão brasileira.

O projeto de pesquisa – financiada pela Fapesp e CNPq – é do médico Fernando Gomes Romeiro. Ele disse que radioembolização já é feita em outros hospitais, mas foi a primeira vez que um hospital público realizou o procedimento de forma totalmente gratuita, com bons resultados.

O HC de Botucatu decidiu utilizar o iodo no lugar do radiofármaco importado. Incorporado às moléculas de um óleo de papoula, que fica grudado no tumor, ele faz com que o componente radioativo fique somente no nódulo maligno. Assim, o tratamento pôde ser feito de forma mais barata.

O paciente

Luiz Carlos Melchior, 75 anos, morador de Ourinhos, no interior de São Paulo, foi o primeiro a passar pelo tratamento no HC.

“Câncer no fígado é grave. Até hoje eu não vi uma pessoa que continuasse vivendo com isso, mas o tratamento de radio foi extraordinário. A equipe médica cuidou de mim como se estivesse cuidando de uma criança”, disse seu Luiz ao G1.

O médico contou que o idoso teve 80% do tumor reduzido após o procedimento feito pela primeira vez de forma gratuita no Brasil.

O paciente tinha dois tumores no fígado. Como a quimioembolização não resolveu, Luiz foi submetido a radioembolização no dia 19 de setembro.

“A gente fez uma tomografia antes e depois, e vimos uma destruição enorme do tumor. Todo mundo ficou bem animado”, disse o médico Fernando Gomes Romeiro.

Outras pessoas

Segundo o hospital, a radioembolização não cura o câncer, mas reduz consideravelmente o tamanho do tumor e evita que ele cause mais danos ao paciente.

Depois do resultado positivo no primeiro paciente, o médico Fernando Gomes Romeiro pretende continuar a realizar o tratamento em outras pessoas, através da pesquisa que começou em setembro do ano passado.

Quando o projeto acabar e a Fapesp parar de financiar os procedimentos, o médico disse que vai tentar outras maneiras para que a radioembolização possa ser oferecida aos pacientes de forma gratuita pelo Hospital das Clínicas.

“A minha intenção é conversar com o superintendente do hospital para ver se a gente consegue manter isso pelo SUS, porque o custo não ficou muito maior do que a quimioembolização, que a gente já faz no hospital”, concluiu o médico.