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Brasileira comemora exame contra câncer: é muito mais barato

Publicado em 04 julho 2012

As células tumorais circulantes (CTCs) podem ser as responsáveis pela metástase do câncer e seu estudo levaria ao desenvolvimento de exames que complementariam ou até substituiriam os atuais. Além disso, entender melhor essas raras células pode acabar em medicamentos mais eficazes. A opinião é da pesquisadora Ludmilla T. D. Chinen, que estuda as CTCs no Hospital A. C. Camargo, em São Paulo.

"O tumor pode desprender essas células desde os estágios iniciais e a importância disso (para a ciência) é descobrir se é ela que de fato forma as macrometástases", diz a dra. Ludmilla. Mas, para estudá-las, antes é necessário acha-las no sangue.. Além de muito mais preciso, o novo aparelho seria bem mais barato - cerca de US$ 10 por cada teste.

"É muito, muito, muito longe do preço que a gente paga", diz Ludmilla. A pesquisadora não diz quanto custa cada exame no método usado pelo hospital, mas afirma que o estudo, financiado pela Fapesp, recebeu R$ 720 mil para estudar 230 pacientes com câncer metastático (tumores de cólon, pâncreas e pulmão). O estudo do A. C. Camargo é liderado pelo chefe do departamento de anatomia patológica (dr. Fernando Soares), pelo chefe do departamento de oncologia clínica (dr. Marcelo Fanelli) e pela própria Ludmila.

As CTCs

A pesquisadora afirma que o primeiro registro das células tumorais circulantes foi feito em 1869 pelo austríaco Thomas Afhwortw. Ele notou na safena de um paciente células parecidas com as encontradas em um sarcoma (um tipo de câncer de tecidos moles) que o paciente teve. O estudo das CTCs teve então uma lacuna até que, em 2004, Massimo Cristofanilli, nos Estados Unidos, mostrou que elas aparecem apenas em pacientes com câncer e que tinham relação com as sobrevidas de pacientes com câncer de mama.

Hoje, os pesquisadores tentam entender a relação entre essas células e a metástase. Ludmilla destaca uma descoberta em especial: estudos indicam que elas são resistentes às drogas contra câncer, ou seja, podem explicar por que alguns pacientes não respondem aos tratamentos, e é esse o foco do trabalho brasileiro. Além disso, novos artigos também indicam que a quantidade de CTCs no sangue tem relação com a sobrevida do paciente (quanto mais delas, maior o problema).

"O foco do nosso trabalho é correlacionar não só a presença dessas células com sobrevida, mas estudar a célula em si". Ludmilla explica que o estudo no A. C. Camargo vai não apenas identificar quantitativamente as CTCs no sangue do paciente, mas também avaliá-las em "toda sua extensão" do ponto de vista genético.

Além disso, os cientistas têm esperança que as CTCs levem a exames mais rápidos e precisos para ajudar os médicos na luta contra a doença. "Tenho certeza de que, quando conseguirmos mostrar (...) que o método é válido, (vamos) conseguir substituir ou pelo menos caminhar ao lado com imagem". "O que determina a mudança de tratamento são os exames de imagem (...) a nossa intenção é ter algum indicador sanguíneo", diz a pesquisadora.