Notícia

Agência C&T (MCTI)

Brasil vai fabricar peças e componentes utilizadas na extração de petróleo

Publicado em 02 abril 2008

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP), iniciou a construção de uma máquina que permitirá a fabricação de peças e componentes que, elaborados a partir da soldagem de ligas metálicas especiais, poderão ser utilizados em diferentes aplicações nas indústrias petrolífera, aeronáutica e espacial.

Em um primeiro momento, a principal utilização da tecnologia será a fabricação de um componente específico, os elementos filtrantes para as telas premium, utilizadas para controle de areia em poços de petróleo e gás. Tanto os elementos filtrantes como as telas são importadas, gerando um custo anual de aproximadamente US$ 40 milhões para as empresas brasileiras.

"A proposta é nacionalizar os componentes utilizados pela indústria de petróleo, sobretudo as peças em aço inoxidável que necessitam de soldagem por difusão. O objetivo do LNLS é desenvolver essas tecnologias de soldagem e repassá-las para a iniciativa privada para a fabricação dos elementos filtrantes", disse Osmar Roberto Bagnato, líder do Grupo de Materiais do LNLS e coordenador do projeto, à Agência Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A validação das tecnologias para a soldagem das ligas metálicas especiais já foi realizada pelos pesquisadores do LNLS, que é um órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Já foram obtidos alguns protótipos dos elementos filtrantes, que são caracterizados por tecidos em aço inoxidável soldados de maneira pontual em alguns locais, o que garante sua permeabilidade em atividades que exigem a separação da areia, água, gás e petróleo.

"Com a máquina, cuja montagem será concluída em agosto, os elementos filtrantes e as telas premium serão fabricados em escala industrial e poderão substituir os importados. Na realidade, o Brasil já produz telas convencionais de aço inoxidável. O 'pulo do gato' está justamente na possibilidade de a máquina soldar essas telas mantendo suas propriedades de filtração", explicou Bagnato.

Segundo ele, a máquina estará em operação a partir de agosto, quando seu desempenho será testado pela empresa DFB Técnicas para Soldagem de Metais, que detém os direitos de fabricação e comercialização, e pela Petrobras, uma vez que cerca de 80% da produção de petróleo no país procede de reservatórios em águas profundas, nos quais a contenção de areia é obrigatória.

"A vantagem da máquina, que também será utilizada para a produção de componentes para os aceleradores do LNLS, é que ela permite a soldagem por difusão. Com esse tipo de tecnologia é possível soldar materiais distintos como, por exemplo, aço inoxidável com cobre ou alumínio, o que hoje não é possível pelos procedimentos convencionais de soldagem", disse.

O trabalho, que tem apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é desenvolvido com auxílio de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).