Notícia

Tribuna do Norte (Natal, RN)

Brasil vai exportar anticorpos para os EUA

Publicado em 12 julho 2007

A pauta de exportações brasileira está prestes a ganhar um novo item, pequeno o suficiente para caber no bolso de uma calça, mas de grande peso para a balança científica nacional. O primeiro carregamento - dois frasquinhos com 10 mililitros de anticorpos cada um - deverá deixar os laboratórios do Instituto Butantã, em São Paulo, nos próximos dias com destino à empresa Millipore, nos Estados Unidos, que comprou o direito de comercializar o produto no mercado internacional.

O acordo foi firmado recentemente entre a companhia e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou os estudos no Centro de Toxicologia Aplicada (CAT) no Butantã. Os anticorpos foram desenvolvidos para se ligar a uma enzima chamada Eopa, que tem papel fundamental na formação do cérebro e de todo o sistema nervoso central. Estudos indicam que ela pode estar envolvida em uma série de distúrbios neurológicos, como esquizofrenia e lissencefalia (patologia conhecida como "cérebro liso").

A Eopa foi descoberta no Brasil, no fim da década de 60, em um desdobramento das pesquisas com o veneno da jararaca - que eventualmente, levariam ao desenvolvimento (fora do Brasil) do captopril, uma das drogas de maior sucesso no mundo para tratamento da hipertensão.

O pesquisador Antonio Carlos Martins de Camargo, hoje diretor do CAT, descobriu a molécula quando procurava por enzimas capazes de degradar a bradicinina, um neurotransmissor com efeito anti-hipertensivo que é superativado pelo veneno da cobra.

Quatro décadas de pesquisa mais tarde, a Eopa pode se transformar em um grande exemplo de sucesso da pesquisa básica brasileira.