Notícia

Gazeta do Povo

Brasil testa vacina contra leishmaniose

Publicado em 06 dezembro 2008

Brasil começou ontem os ensaios clínicos da vacina contra a leishmaniose, doença que ataca seres humanos e outros mamíferos, causa da por parasitas que se alojam nas vísceras, como o fígado e o baço. As informações são da Agência Brasil, órgão de divulgação do governo federal. Inicialmente, as vacinas serão aplicadas nas áreas endêmicas, mais concentradas no Nordeste, com 1.810 notificações em 2006, de um total de 3.433 casos, em todo o país. Naquele ano, 7,5% dos pacientes morreram.

O anúncio foi feito no Instituto Butatan, em São Paulo, pelo presidente da Fundação Butatan, Isaías Raw, e pelo pesquisador Steven Reed, do Infetology Disease Res, Institute (Irdi), com sede em Seattle, nos Estados Unidos, que oferece os lotes iniciais produzidos naquele país.

Os trabalhos envolvem investimento de R$ 2 milhões em sistema de parcerias, que incluem, além do laboratório americano, o Instituto Butatan, programa Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é de vacinar 30 milhões de cães durante a campanha anual de vacinação contra a raiva. O Instituto Butatan pretende investir R$ 5 milhões na nova fábrica.

Conhecida também por calazar, a doença é provocada pelo protozoário Leishmania chagasi, que evolui no interior do tubo digestivo do inseto transmissor, o Lutzomyia longipalpis, conhecido como mosquito-palha, birigüi, asa-branca, tatuquira e cangalhinlia. A doença é transmitida pela picada do mosquito, que tem hábitos noturnos e vespertinos.

Como o protozoário ataca as vísceras, atingindo, por exemplo, o fígado e o baço, um dos sintomas da doença é o inchaço abdominal, além de febre, emagrecimento, complicações cardíacas e circulatórias, desânimo, abatimento externo, apatia e palidez. Na América Latina, há relatos da doença em 12 países e 90% dos casos são registrados no Brasil. De acordo com a Secretaria da Saúde de São Paulo, a doença vem se disseminando a partir de focos isolados do Nordeste para outros regiões do país, com surtos verificados no Norte, Centro-Oeste e Sudeste. Em São Paulo, há casos em humanos desde 1999.

Por enquanto, não há vacina. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento é feito, gratuitamente, com remédios específicos, repouso e boa alimentação. A doença é considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das seis maiores endemias, infectando cerca de 2 milhões de pessoas no mundo.