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Brasil testa vacina contra a Aids em macacos

Publicado em 06 agosto 2013

Uma vacina brasileira contra o vírus da Aids será testada em macacos a partir de setembro deste ano. O imunizante, batizado de HIVBr18, começou a ser desenvolvido em 2001 e já conseguiu bons resultados nas avaliações feitas em camundongos.

O estudo está sendo conduzido pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca, e pelo Instituto de Investigação em Imunologia, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os resultados da aplicação da vacina no grupo de macacos, alocados no Instituto Butantan, em São Paulo, poderão ser analisados a partir de seis meses após as injeções. A nova fase de testes é decisiva, já que o sistema imunológico dos macacos é muito mais próximo do humano do que os camundongos. “Se no macaco nós tivermos uma resposta da força que nós tivemos no camundongo, nós temos um candidato à vacina muito poderoso”, diz Cunha.

O vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla em inglês), causador da Aids, tem uma série de características que dificultam a criação de uma vacina. Uma delas é a grande variação do genoma nas diversas variedades do vírus. Segundo Cunha, essa diferença pode chegar a 20%. “Para nós contornarmos isso, nós selecionamos 'regiões' do HIV que eram muito conservadas, que não mudavam de um vírus para o outro”, ele diz.

Com o auxilio de programas de computador e testes químicos e biológicos, os pesquisadores conseguiram identificar nesse material genético que não variava os elementos que são reconhecidos pelo sistema imunológico da maior parte da população. A partir dissi, foi desenvolvido um imunizante que aumenta a resposta do corpo à ação do HIV, atenuando os efeitos da doença.

“Essa vacina não é capaz de bloquear ou neutralizar os vírus totalmente. Ela é capaz de atenuar a infecção, reduzir a quantidade de vírus que vai replicar”, afirma o pesquisador. Se a eficácia da vacina for comprovada, a pessoa infectada terá menos sintomas da doença e uma capacidade muito menor de contaminar outras pessoas. No longo prazo, a vacina reduziria em grande escala a aparição de novos casos de HIV na população.

De acordo com o pesquisador, com a tecnologia atual, esse é o único modelo viável de imunização. "A vacina que bloqueia completamente a ação do vírus não tem obtido sucesso nem em animais”.

A vacina só poderá ser testada em humanos se apresentar resultados satisfatórios nos testes no grupo de macacos e, posteriormente, em um grupo de símios, com uma amostragem superior e variações da vacina para comprovar qual provoca uma resposta maior do corpo.

A avaliação de eficácia da vacina em larga escala, bem como o desenvolvimento dessa tecnologia no país, depende de investimentos. Até o momento, foram investidos R$ 1 milhão na pesquisa. Os testes em macacos deverão demandar mais R$ 2 milhões. Para a avaliação da eficácia da vacina em humanos (os testes seriam feitos em 10 mil pessoas ao longo de cinco anos), a pesquisa necessitaria de uma verba entre entre R$ 100 milhões a R$ 200 milhões.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, até novembro de 2012, 530.000 pessoas viviam no Brasil com o vírus causador da Aids, e destas, 135.000 desconheciam sua situação.

NT

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA BRASIL