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O Progresso (Dourados, MS) online

Brasil terá testes clínicos de vacina contra a dengue

Publicado em 07 outubro 2013

O Instituto Butantan e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) anunciaram o início do recrutamento de voluntários para os testes clínicos de uma vacina tetravalente contra a dengue – ou seja, que ofereça proteção contra os quatro tipos de dengue conhecidos (1, 2, 3 e 4).

Composta por vírus vivos atenuados, a vacina foi criada por pesquisadores do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, onde passou por testes bem-sucedidos em animais e em humanos – demonstrando ser segura, com poucos efeitos colaterais (dor e vermelhidão local, em alguns casos) e eficiente na indução da produção de anticorpos após a administração de uma única dose.

“Por meio de uma parceria, o NIH disponibilizou o produto para a produção no Instituto Butantan e para testes em humanos no Brasil. Com isso, a vacina será testada, pela primeira vez, em uma região endêmica, onde a dengue é um problema de saúde pública de extrema relevância”, afirmou Alexander Precioso, diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância no Instituto Butantan, na entrevista coletiva do anúncio, em São Paulo. “Os pesquisadores americanos comprovaram ainda que mosquitos transmissores da dengue não são capazes de disseminar o vírus atenuado na vacina, transmitindo a doença a partir de picadas em pessoas imunizadas com a vacina”, disse.

Esper Kallás, professor associado de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP e coordenador dos testes que serão realizados no Hospital das Clínicas da universidade, também esteve presente na coletiva e afirmou que, neste momento, o objetivo é confirmar os resultados obtidos nos Estados Unidos.

“A fase de desenvolvimento clínico é certamente a mais desafiadora e complexa, mas acreditamos ter um produto promissor em mãos”, disse o pesquisador. “Há vacinas contra a dengue em fase de produção por outras companhias. Contudo, até o momento, elas têm exigido mais de uma dose de aplicação, enquanto os resultados iniciais da vacina que vamos testar apontam para uma dose única.”

A produção da vacina no Brasil teve apoio da FAPESP, por meio do projeto de pesquisa “Dengue: produção de lotes experimentais de uma vacina tetravalente candidata contra dengue”.

Triagem

O início dos testes clínicos foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo comitê de ética da Faculdade de Medicina da USP, pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Durante a triagem, os voluntários passarão por exames laboratoriais e avaliações médicas. Em um primeiro momento, serão selecionados 50 participantes, homens ou mulheres saudáveis, com idade entre 18 e 59 anos, que residam na cidade de São Paulo e nunca tenham contraído dengue.

Na etapa seguinte, inicialmente prevista para o início de 2014, serão recrutados outros 250 voluntários que já tenham ou não contraído dengue. Nessa fase, os participantes serão acompanhados pelos hospitais da FMUSP e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

A expectativa dos pesquisadores é conhecer, em dezembro do ano que vem, todos os dados necessários para descrever o perfil de segurança da vacina e a resposta imunológica que ela é capaz de produzir.

Do Progresso