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Brasil terá primeiro soro contra veneno de abelha do mundo

Publicado em 08 julho 2010

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, aguardam aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para soro contra veneno de abelha. Desde 2000, especialistas estudam o soro, que recebeu patente este ano. Com a aprovação, o Brasil seria o primeiro país a produzir o medicamento no mundo e poderia distribuí-lo nos hospitais da rede pública de saúde.

O veneno da abelha afeta imediatamente rins, fígado e coração das vítimas picadas. Atualmente, o socorro é realizado nas emergências dos hospitais com analgésicos, controle de sangramento e, em alguns casos, hemodiálise. Segundo a bióloga Keity Souza, responsável pelo estudo, mundialmente não existe nenhum tratamento específico para o veneno.

"As medidas são paliativas e não interrompem a circulação do veneno no sangue", diz a pesquisadora. Keity explicou ainda que, em situações mais graves, o ataque pode ser fatal em conseqüência de insuficiência renal. Entretanto, o soro só poderia ser utilizado em casos onde a vítima tivesse sofrido mais de 50 picadas.

Cerca de 15 mil acidentes com abelhas são registrados no Brasil por ano. Somente em São Paulo, foram registrados 3.500 acidentes com 17 mortes em 2006. Este ano, três pessoas já morreram em decorrência de ataques de abelhas.

Pesquisa

A bióloga Keity Souza identificou todas as proteínas do veneno das abelhas em seu doutorado no Laboratório de Imunologia, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). A equipe de produção de soros do Instituto Butantan injetou o veneno em cavalos para que desenvolvessem anticorpos, moléculas capazes de neutralizar o veneno. Em seguida, a eficácia dos anticorpos retirados dos cavalos foi testada por Keity.

Os pesquisadores já produziram 80 litros de soro, que é administrado por via intravenosa. Cerca de 20 mililitros (ml) são suficientes para neutralizar os efeitos do veneno. O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), que envolve estudos nesta área, foi parceiro do estudo. As pesquisas receberam financiamento de R$ 3 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia