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Nesse Instante

Brasil terá modelo global sobre o clima

Publicado em 30 agosto 2008

O diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, anunciou a aquisição de um supercomputador que permitirá o desenvolvimento de um Modelo Brasileiro de Sistema Climático Global. O custo do equipamento é de R$ 37 milhões. "A iniciativa tem o objetivo de estimular pesquisas que sejam internacionalmente competitivas", disse. A instituição de fomento pode investir de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões por ano em pesquisas sobre mudanças climáticas.

A comissão acadêmica provisória do projeto é composta por cientistas como Carlos Nobre, do Insituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp, Daniel Joseph Hogan, do Núcleo de Estudos de População e de Estudos e Pesquisas Ambientais da Unicamp, Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP. Segundo Brito Cruz, o Inpe se ofereceu para ser sede da secretaria-executiva do projeto e já contratou cinco cientistas para fazerem parte da equipe. Os recursos para a compra do equipamento sairão da Fapesp e do Finep.

"Esse projeto vai permitir mobilizar pesquisadores de várias áreas e esperamos uma grande integração e troca de conhecimento", disse Brito Cruz. O pesquisador Carlos Nobre lembrou a importância do programa e tratou dos desafios que a comunidade científica brasileira, em especial a de São Paulo, tem pela frente. Ele salientou que o Brasil responde por 1,5% dos textos científicos sobre mudanças climáticas publicados no mundo. "A comunidade científica de São Paulo está madura. Do total desses trabalhos, 0,9% é produzido pela comunidade científica do Estado."

Nobre e Brito Cruz ressaltaram a importância do desenvolvimento do Modelo Brasileiro de Sistema Climático Global, que permitirá incluir inúmeros aspectos regionais. Entre os impactos da nova realidade criada pela mudança climática, Nobre citou o crescimento das descargas elétricas (raios) na malha urbana de São Paulo da ordem de 30% por grau. Citou como desafios do projeto a detecção e atribuições das causas das mudanças climáticas (ciclos biogeoquímicos); o estudo da variabilidade climática natural e mudanças climáticas; desenvolvimento de modelos do sistema climático global; elaboração de propostas que permitam mitigar a emissão de gases do efeito estufa; cálculo das principais vulnerabilidades às mudanças climáticas; e a busca de propostas que permitam aumentar a capacidade adaptativa do País.

Durante o lançamento do programa que contou com a participação de especialistas e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Brito Cruz anunciou recursos da ordem de R$ 16 milhões para projetos destinados ao estudo das causas e efeitos do aquecimento global sobre o planeta.

Os recursos provêm da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Serão privilegiadas sete linhas de pesquisa: funcionamento de ecossistemas; biodiversidade e ciclos de carbono e nitrogênio; balanço de radiação atmosférica; aerossóis, gases traço (monóxido de carbono, ozônio, entre outros) e mudança no uso da terra; mudanças climáticas, agricultura e pecuária; energia e ciclo de gases de efeito estufa; modelamento de clima em escala global; impactos das mudanças climáticas na saúde; e ações humanas, impactos e respostas ; dimensões humanas da mudança ambiental global.