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Brasil tem falta de pesquisadores devido a problemas no ensino médio, diz Fapesp

Publicado em 21 abril 2010

O baixo acesso de jovens brasileiros ao ensino médio é um dos fatores que explicam a falta de pesquisadores em São Paulo e no Brasil. A avaliação é da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP).

O gargalo, segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação, existe em São Paulo e outras regiões do Brasil. Segundo ele, apenas 67% dos jovens no Estado paulista chegam ao ensino médio, enquanto a média nacional é ainda mais baixa - 40%.

- O grande desafio para o Brasil é melhorar a qualidade da educação fundamental, melhorar a qualidade e a quantidade da educação média e usar mais a capacidade instalada de pesquisa nos principais centros para formar pessoal científico para o país inteiro.

Outros fatores que explicariam a falta de pesquisadores em São Paulo, de acordo com o dirigente da Fapesp, é o pouco apoio dado pelo governo federal às atividades de pesquisa e de pós-graduação.

Isso acontece, segundo Cruz, por causa do menor número de universidades federais instaladas no Estado.

- São Paulo é o único Estado brasileiro que não tem uma grande universidade federal. E o esforço que a União dedica ao ensino superior paulista representa apenas 8% do total do apoio à educação superior federal que o governo faz no país todo. Isso é muito pouco, porque São Paulo tem 21% da população brasileira.

Para o pesquisador, todos esses fatores combinados provocam a falta de pesquisadores nas universidades, nos institutos de pesquisa e nas empresas brasileiras. Um problema que pode contribuir para a perda de desenvolvimento e de competitividade do país.

Em 2008, o volume total de investimento em pesquisa em São Paulo foi de R$ 15,5 bilhões, o que representou 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado. Segundo ele, esse percentual vem crescendo em São Paulo e o ideal seria ser estar perto de 2,3% do PIB.

Desse total de investimentos, 63% foram feitos por empresas. Quanto ao financiamento público à pesquisa produzida em São Paulo, a maior parte provém de recursos estaduais.

- O recurso estadual que é destinado ao financiamento à pesquisa, em São Paulo, é quase duas vezes maior do que a verba federal. E a principal razão para isso é o fato de haver poucas universidades federais no estado de São Paulo.

O Estado de São Paulo conta atualmente com 1.200 pesquisadores a cada milhão de habitantes, enquanto a média brasileira é de 600 pesquisadores por milhão de habitantes. O número, quando comparado com o de outros países, é muito baixo.

O Japão, por exemplo, tem 5.500 pesquisadores por milhão de habitantes, enquanto a Espanha tem 2.600 na mesma comparação.

- A quantidade de pesquisadores, a porcentagem da força de trabalho que o Brasil e São Paulo dedicam à pesquisa é pequena em comparação a outros países. Se for pequena em relação a dos Estados Unidos ou do Japão, pode ser que não seja muito problemático. Mas é pequeno em comparação com Portugal e Espanha.

Segundo Cruz, além de priorizar o ensino médio em seu programa educacional, o Brasil precisa usar, de forma mais eficiente, a capacidade de pesquisa disponível em cada região, valorizando os grandes centros.

- O Brasil, ao mesmo tempo que precisa desenvolver as atividades de pesquisa e de pós-graduação em todas as regiões do país - porque isso é muito importante para o desenvolvimento do país - também precisa usar, de maneira mais eficiente, as regiões que têm mais capacidade de formar pessoas que vão trabalhar no Brasil inteiro.