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Brasil tem 4 cientistas na lista de ‘mais influentes’ do mundo

Publicado em 19 janeiro 2016

HERTONESCOBAR

Lista produzida pela empresa Thomson Reuters tem 3.126 nomes, baseada na publicação de trabalhos de alto impacto. O que isso significa (ou não) para a ciência brasileira?

Quatro pesquisadores brasileiros estão entre os 3 mil cientistas “mais influentes” do mundo, segundo um levantamento feito pela empresa Thomson Reuters. São eles, em ordem alfabética:

Ado Jorio de Vasconcelos, físico de Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); que “trabalha com pesquisa e desenvolvimento de instrumentação científica para o estudo de nanoestruturas para aplicação em novos materiais e biomedicina” — Currículo Lattes/CNPq

Adriano Nunes-Nesi, agrônomo da Universidade Federal de Viçosa (UFV); que “atua principalmente nos seguintes temas: metabolismo de carboidratos e interações entre o metabolismo mitocondrial e outras vias metabólicas em plantas” — Currículo Lattes/CNPq

Alvaro Avezum, diretor da Divisão de Pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, que participa de vários testes clínicos internacionais de drogas e terapias — Currículo Researchgate

Paulo Artaxo, físico da Universidade de São Paulo (USP); que “trabalha com física aplicada a problemas ambientais, atuando principalmente nas questões de mudanças climáticas globais, meio ambiente na Amazônia, física de aerossóis atmosféricos e poluição do ar urbana” — Currículo Lattes/CNPq

É a terceira vez que a Thomson Reuters publica esse relatório, intitulado  As mentes científicas mais influentes do mundo, que pode ser pesquisado aqui: http://highlycited.com (as versão anteriores são de 2001 e 2014). Um pdf do relatório, noticiado pela Agência Fapesp, pode ser baixado aqui: http://goo.gl/OI9H1C.

A lista é baseada na quantidade de trabalhos “altamente citados” publicados por cada pesquisador entre 2003 e 2013, em 21 áreas do conhecimento, chegando a um total del 3.126 nomes. Segundo a empresa, portanto, estes são os pesquisadores com o maior número de estudos de alto impacto publicados nesse período de 11 anos. Mas o relatório apresenta os nomes apenas em ordem alfabética, sem revelar os números de publicações ou citações associados a cada um deles individualmente.

Levantamentos desse tipo são interessantes e costumam ter bastante repercussão — assim como os rankings de universidades —, mas precisam ser analisados com uma boa dose de ressalvas (ou, como dizem os americanos, com uma “pitada de sal”), para não se cometer injustiças. Como já escrevi num outro post cerca de um ano atrás, é importante não confundir métricas com adjetivos: “mais citados” não significa necessariamente “melhores”, “mais produtivos” nem “mais influentes”.

Quando falo em não cometer injustiças, me refiro tanto àqueles que estão na lista quando aos que ficaram fora dela. Acho sempre temeroso produzir rankings baseados em métricas isoladas — neste caso, o número de trabalhos “altamente citados”. Sem querer, com isso, desmerecer os quatro brasileiros: O fato de eles figurarem nessa lista mostra, certamente, que são pesquisadores de alto nível, produzindo ciência de alto impacto, em colaboração com pesquisadores estrangeiros. Mas seria uma injustiça concluir, com base nisso, que são os quatro cientistas brasileiros “mais influentes do mundo”.

Especialmente para o grande público, pode-se passar a impressão de que o Brasil só tem uma meia-dúzia de cientistas capazes de produzir ciência de relevância internacional; o que não é verdade. A ciência brasileira é limitada em muitos aspectos e tem muito o que melhorar, sem sombra de dúvida, mas uma coisa que não nos falta são bons cientistas. Faltam, sim, condições institucionais, orçamentárias e regulatórias adequadas para eles trabalharem, ousarem e ganharem espaço no cenário internacional.

 

Participação colaborativa

 

É preciso levar em conta que o levantamento da Thomson Reuters não faz distinção entre autores e co-autores, o que significa que muitos desses 3 mil pesquisadores podem figurar na lista por atuarem como colaboradores de grandes projetos internacionais, não necessariamente por terem tido alguma ideia ou iniciativa própria revolucionária. São coadjuvantes, não protagonistas.

Ainda assim, não há como negar que 4 pesquisadores entre 3.126 (0,001%) é muito pouco para um país do tamanho do Brasil, que tem pretensões de se colocar como uma potência científica internacional. Por mais míope que seja a métrica de elaboração, é fato que deveríamos ter mais nomes nesse lista — reflexo de uma das principais limitações qualitativas da nossa ciência, que é a falta deinternacionalização. Se as condições não são ideais para desenvolver tantos projetos revolucionários por aqui, deveríamos pelo menos estar colaborando com mais projetos revolucionários de outros países.

(OBS: O levantamento da Thomson Reuters leva em conta a nacionalidade da instituição onde o pesquisador trabalha, não a nacionalidade da pessoa. Portanto, é possível que haja outros pesquisadores brasileiros na lista, associados a instituições estrangeiras.)

O relatório da Thomson Reuters retrata claramente a supremacia global da ciência norte-americana. O país com a maior produção de trabalhos científicos altamente citados são os Estados Unidos; e quatro das cinco instituições mais produtivas nesse quesito são americanas, lideradas pela Universidade da Califórnia.

Além da lista de 3.126 pesquisadores “mais influentes” do mundo entre 2003-2013, o relatório faz também um ranking dos 19 cientistas que mais “bombaram” no cenário global nos últimos dois anos (2013-2014). Nesse caso, quem lidera a lista de “hot scientists”, com 25 “hot papers”  é a geneticista americana Stacey Gabriel, do Instituto Broad, um centro de pesquisas genômicas das universidades MIT e Harvard — onde, aliás, trabalham outros cinco figurantes da lista. Como diretora de Plataformas Genômicas da instituição, ela está envolvida na coordenação de vários projetos de grande escala e alto impacto para a biomedicina mundial, como o HapMap, 1000 Genomes e Cancer Genome Atlas.

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