Notícia

Jornal do Brasil

Brasil será gigante em 2020

Publicado em 10 setembro 1997

Relatório sobre crescimento econômico divulgado ontem pelo Banco Mundial (Bird) põe o Brasil entre os novos cinco gigantes do século 21, ao lado de China, Índia, Rússia e Indonésia. Se esses países sustentarem programas de reforma e modernização de suas economias e for mantido o atual nível de investimentos das grandes corporações multinacionais, diz o relatório, terão chances de conquistar uma fatia do comércio global 50%, maior que a da União Européia. As previsões do Banco Mundial vão além: a participação na economia internacional do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil dará um grande salto de 1,7%, em 1992, para 2,5%, em 2020. O fluxo de capitais privados para os países em desenvolvimento, entre os quais se situa o Brasil, passou de 1% do PIB dessas nações, em 1990, para 4,5% do PIB - US$ 450 bilhões - em 1996. Mas o otimista cenário traçado pelo Bird exigirá que, ao longo dos próximos anos, os países industrializados façam 60% de todas as suas compras externas nos países em desenvolvimento. BRASIL SERÁ GIGANTE DO SÉCULO 21 FLAVIA SEKLES - Correspondente Relatório do Banco Mundial prevê 'boom' da economia. Participação do país no PIB mundial poderá dobrar até o ano 2020 WASHINGTON - O Brasil - ao lado da China, Índia, Indonésia e Rússia - pode ser um dos países mais importantes da economia global no próximo século, segundo um cenário de desenvolvimento econômico divulgado ontem pelo Banco Mundial. Se as previsões se realizarem, no ano 2020, o Brasil veria a proporção de seu Produto Interno Bruto em relação ao resto do mundo quase dobrar de 1,7% para 2,5%. Se os países em desenvolvimento, permanecerem empenhados na reforma de suas economias, e se o atual regime de comércio e investimento em escala global persistir, podem conquistar, até o ano 2020, uma fatia do comércio global 50% maior do que a Comunidade Européia. É o que diz o relatório anual do BIRD - Perspectivas Econômicas Globais. Atualmente, a proporção do comércio global gerado pelos países mais pobres é um terço do comércio global dos países europeus. Tendências - Milan Brahmbhatt, principal autor do estudo, disse em Washington que para chegar a esse cenário os economistas do Banco Mundial fizeram várias suposições. "A primeira é a continuação, por mais 25 anos, da tendência à globalização que nós temos visto ao longo dos últimos 10 a 15 anos," disse. Isso significa que as barreiras ao comércio global que ainda existem hoje continuarão caindo, através da implementação não apenas dos acordos firmados na Rodada Uruguai, mas também resultantes de negociações futuras. Entre essas suposições, por exemplo, há pontos bastante difíceis como o corte em 50% de todas as restrições no comércio global de produtos agrícolas. "Nós também supomos que o inundo verá, nos próximos 25 anos, avanços tecnológicos nas áreas de transporte e comunicações, com quedas nos custos que estimularão o crescimento do comércio global", disse o economista. Os autores do estudo também presumem que os países em desenvolvimento, especialmente os cinco grandes manterão, sem regressos, políticas para a estabilização macroeconômica. Além disso, avançarão para as reformas de segunda geração, que incluem reforma judicial, reforma administrativa, liberalização comercial e privatizações. Primeiro Mundo - Para que esse cenário se realize, há um papel importante também para os países desenvolvidos. Segundo Joseph Stiglitz, economista chefe do Banco Mundial, esses países não podem substituir as barreiras comerciais: derrubadas no passado por barreiras não tarifárias e precisam manter o crescimento moderado com baixa inflação de suas economias, e taxas de juro relativamente baixas. "Com esse pano de fundo, as perspectivas de longo prazo devem permanecer boas para o fluxo de capitais privados para os países em desenvolvimento " disse o economista. Esses fluxos já cresceram de 1% do PIB dos países em desenvolvimento em 1990 para cerca de 4,5% do PIB, ou US$ 250 bilhões, em 1996. Crescimento - A saúde das economias dos países desenvolvidos é vital desde que eles consumam até 60% das exportações dos países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o rápido crescimento dos países em desenvolvimento criará um mercado cada vez mais importante para os produtos dos países desenvolvidos. Entre 1992 e 2020, cada meio dólar no crescimento de exportações dos países desenvolvidos será engolido pelos países em desenvolvimento. A taxa de crescimento do comércio global, atualmente 6% em termos de volume, deve continuar. O relatório projeta uma média de crescimento anual para os países em desenvolvimento de 5,4% entre 1997 e o ano 2006, comparado à uma taxa média de 2.69c na última década. "A taxa de crescimento dos países em desenvolvimento já aumentou muito nessa década, (5% de 1990 até agora, a taxa mais rápida dos últimos 20 anos), e com a continuação das reformas e um clima econômico favorável, deve se acelerar", disse Brahmbhatt. Cinco grandes - Com o crescimento e maior integração econômica, o "peso" das economias dos países em desenvolvimento na economia global aumentará, especialmente - no caso dos cinco grandes - Brasil, China, Indonésia, Índia e Rússia, que em conjunto representam hoje 50% - da força de trabalho do mundo mas apenas entre 8 a 10% da produção e comércio global. Se as suposições do relatório se realizarem, essa proporção deve dobrar até o ano 2020. Uma mudança como essa não tem precedentes na história. O estudo também nota a importância "crítica" da capacidade de adaptação dos países, que requer a avaliação dos custos da adaptação à integração global de forma realista pelos governos e a implementação de políticas para minimizar esses custos. Esses custos incluem pressão negativa nos salários de trabalhadores com baixo nível educacional e preços mais altos para energia e comida. Enquanto as perspectivas econômicas globais são positivas, o estudo nota que os riscos para países individuais são consideráveis. Quanto maior o volume de comércio e dos mercados de capitais, maiores os problemas da administração econômica.