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Jornal Cana

Brasil será centro de biocombustíveis para aviação

Publicado em 01 dezembro 2011

Por Carolina Octaviano

Parcerias como a firmada, no último dia 26 de outubro, entre a Embraer, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Boeing, para o desenvolvimento de pesquisas e estudos na área de biocombustíveis, demonstram e comprovam o potencial que o Brasil tem em se tornar, futuramente, um centro de produção de combustíveis verde para a aviação. Um dos principais desafios desta parceria é criar, no país, uma indústria de produção e distribuição de combustível de aviação bioderivado, sustentável e economicamente eficiente, a partir da criação de um centro de pesquisas.

A Embraer destaca que a missão do centro será produzir ciência que ajude a preencher as lacunas técnicas, comerciais e de sustentabilidade necessárias para possibilitar a criação de uma nova cadeia de suprimento de biocombustível de aviação em território nacional. Segundo Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil, o Brasil tem muito potencial para se desenvolver nesse sentido. "O Brasil já mostrou sua liderança no desenvolvimento de biocombustíveis para o transporte terrestre", afirma. "Reunir pessoas de todo Brasil, com a liderança e expertise, para criar novas fontes de energia de baixo carbono para aviação, é a coisa certa a ser feita para a nossa indústria, consumidores, para o Brasil e para as gerações futuras", completa Hrinak.

Para Maurd Kern, vice-presidente executivo de Engenharia e Tecnologia da Embraer, a iniciativa é importante para fortalecer as pesquisas com biocombustível realizadas anteriormente pela empresa. "O desenvolvimento dos biocombustíveis é, há muito tempo, um dos nossos focos em outras parcerias e este novo programa agregará mais valor àquelas iniciativas", comenta. Kern fala também da importância desses estudos para o Brasil e para a Embraer. De acordo com ele, as tecnologias que serão desenvolvidas podem transformar o Brasil em uma plataforma de inovação científica e tecnológica: "a Embraer se orgulha do papel que sempre teve no crescimento da base de conhecimento tecnológico do Brasil e na transformação do país em um destino cada vez mais atraente, não apenas como mercado consumidor, mas também como plataforma de inovação", explica. Parceria é reflexo de iniciativas voltadas à sustentabilidade

Além de possibilitar a criação do primeiro centro de bicombustíveis para aviação, no território brasileiro, demonstra a preocupação das empresas e de órgãos de fomento à pesquisa com o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e que reduzam as emissões de gases causadores do efeito estufa, comprovando que é preciso focar nas questões ambientais. Um exemplo disso é que a Boeing e a Embraer, em julho de 2011, já haviam realizado uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o financiamento de uma análise de sustentabilidade para produção de um combustível renovável para jatos desenvolvidos Amyris, a partir da cana-de-açúcar cultivada em solo nacional.

Sob coordenação da Ícone - uma incubadora brasileira de pesquisas - e supervisão da World Wildlife Fund (WWF), o estudo faz uma avaliação das condições ambientais e mercadológicas associadas ao uso deste combustível e tem previsão de término no começo de 2012. Já o resultado do estudo empreendido pela parceria entre a Fapesp, a Embraer - empresa líder na fabricação de jatos comerciais e uma das maiores exportadoras brasileiras - e Boeing - líder mundial no setor aeroespacial e a maior fabricante de jatos comerciais e aeronaves militares -deve ser apresentado ao público no final de 2012, podendo durar de nove meses a um ano, tendo as companhias aéreas Azul, GOL, TAM e Trip como consultoras estratégicas.

Estas iniciativas mostram que a Boeing e a Embraer estão focadas no desenvolvimento de biocombustíveis (ou combustíveis verdes) para aviação, a partir de fontes renováveis, que não compitam, pelo uso da terra, com culturas voltadas para alimentação. As duas empresas frisam que é preciso ouvir os interesses do setor de agricultura, dos pesquisadores, dos ambientalistas, das refinarias e também das empresas aeroespaciais de todo mundo para estabelecer a infraestrutura necessária para gerar uma indústria de biocombustíveis que seja viável economicamente e ambientalmente. Ou seja, é preciso analisar as necessidades de cada setor para que o projeto seja bem-sucedido em dois pontos cruciais: o mercadológico e o sustentável.