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Jornal da Manhã (Uberaba, MG) online

Brasil reduz pela metade índice de mortalidade precoce de leucemia LPA

Publicado em 22 janeiro 2013

Um estudo elaborado em rede por países em desenvolvimento e desenvolvidos mostra que, nos últimos seis anos, o Brasil, México, Chile e Uruguai conseguiram reduzir pela metade o índice de mortalidade precoce da leucemia promielocítica aguda (LPA), um tipo mais agressivo de câncer do sangue e da medula óssea.  

Para o coordenador do grupo no Brasil, Eduardo Rego, do Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto (CTC-HRP), a cooperação em rede foi fundamental para o bom resultado e a melhoria operacional nos controles de casos.

"Esse tipo de câncer é um dos mais agressivos. Há elevada mortalidade nos primeiros dias após o diagnóstico, devido à gravidade das manifestações hemorrágicas. Por isso, o diagnóstico precoce é muito importante, e o fato de conseguirmos trabalhar em consórcio permitiu que a gente fizesse o reconhecimento dessa forma de leucemia em poucas horas, o que é crucial".

Antes da criação do consórcio, em 2006, a mortalidade no primeiro mês após o diagnóstico era acima de 30% e a sobrevida global após três anos era de cerca de 50%. Em 2011, a pesquisa mostrou que a taxa de mortalidade caiu para 15% e a de sobrevida aumentou para 80%. Rego explicou que, em países da Europa, como a Espanha, onde o modelo de consórcio é antigo, a mortalidade precoce fica entre 5% e 7% e a taxa de sobrevida é de 90%. "Esperamos alcançá-los em breve".

O oncologista explicou que o grupo foi criado em 2006 para que países em desenvolvimento pudessem trocar experiências e dados de seus pacientes e receber apoio de grupos de referência da Europa e dos Estados Unidos. Estudos clínicos de sucesso nos países desenvolvidos foram adaptados às peculiaridades de cada país.  

Uma das adaptações de maior êxito, segundo o estudo, foi a substituição da idarrubicina - substância mais utilizada no combate à doença na Europa e de elevado custo - pela daunorrubicina, que é uma substância de menor custo e mais facilmente encontrada no mercado brasileiro. "Ela alcança os mesmos resultados. A taxa de remissão, ou seja, de cura, foi semelhante à da idarrubicina", garantiu o médico.

Outras sete instituições brasileiras participam do consórcio: Universidade de Campinas (Unicamp); Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo; Fundação Hemope, de Pernambuco, e as universidades federais de São Paulo, do Paraná, Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Além do Brasil, participam do consórcio internacional o México, Chile, Uruguai, países da Europa e Estados Unidos.

O estudo foi patrocinado exclusivamente com dinheiro público e, no Brasil, o financiamento foi provido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No Brasil, o desconhecimento da incidência dos subtipos da doença compromete o tratamento, porque não existem estatísticas precisas da LPA. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) previu no ano passado 4.570 novos casos em homens e 3.940 em mulheres, mas o levantamento não distingue a leucemia aguda da crônica.