Notícia

Correio da Paraíba

Brasil prepara terceiro satélite com a China

Publicado em 12 agosto 2007

São Paulo (Fapesp) - No início de setembro os olhos de todos os engenheiros e técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estarão voltados para a China. Eles estarão acompanhando, muitos naquele país, o lançamento do terceiro Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers, de China-Brazil Earth Resources Satellite), produzido em cooperação entre o Brasil e a China. O artefato subirá ao espaço a bordo do foguete Longa Marcha 4B, a ser lançado do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na província chinesa de Shanxi, a 800 quilômetros da capital Pequim. O novo satélite, batizado de Cbers-2B, é quase uma réplica do anterior, o Cbers-2, que está em órbita desde 2003, em plena operação, e já ultrapassou sua vida útil, estimada em dois anos. O lançamento é mais um passo do programa Cbers que teve início em 1988, com a assinatura de um protocolo de cooperação entre o governo dos dois países para o desenvolvimento, fabricação, testes, lançamento e operação em órbita de dois satélites de sensoriamento remoto, idênticos entre si. O primeiro deles, o Cbers-1, foi lançado em outubro de 1999 e deixou de funcionar em agosto de 2003, sendo substituído pelo Cbers-2.

Em novembro de 2002 um novo protocolo foi assinado para dar continuidade ao programa com a construção e o lançamento de mais dois satélites, Cbers-3 e 4. O programa Cbers permite ao Brasil fazer parte do seleto grupo de nações capazes de coletar imagens da Terra e monitorar seu próprio território. O país é responsável por 30% da produção dos equipamentos e componentes do satélite 2B, tarefa que envolveu 12 empresas brasileiras, todas de médio e pequeno porte. Nos dois próximos satélites a participação brasileira sobe, como está previsto em contrato, para 50%, meio a meio com os chineses.

"O Cbers-2B foi construído com peças sobressalentes de seu antecessor e será lançado para cobrir uma lacuna e evitar a descontinuidade do serviço de fornecimento de imagens do programa, porque o próximo satélite da série só deverá ir ao espaço dentro de dois anos", diz o engenheiro eletrônico Ricardo Cartaxo, coordenador do programa Cbers no Inpe, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) responsável pelo programa no país. Segundo Cartaxo, a reutilização de boa parte dos projetos de subsistemas — as diversas partes que um satélite é dividido — desenvolvidos para o Cbers-2 permitiu a redução no tempo necessário para o seu lançamento e, ao mesmo tempo, economia no custo de fabricação. O investimento brasileiro foi de US$ 15 milhões, incluindo o valor do lançamento, enquanto o custo total dos dois primeiros satélites chegou a US$ 118 milhões para o Brasil.