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Brasil prepara-se para vender célula a combustível em 2 anos

Publicado em 29 agosto 2003

Por Fabiana Pio
Nos próximos dois anos, o Brasil deverá iniciar a comercialização de um sistema de célula a combustível com tecnologia 100% nacional, que envolverá da transformação do álcool (etanol) em hidrogênio à produção de energia elétrica para a iluminação de prédios, casas e locomoção de veículos. "Esse sistema permitirá que o motorista abasteça seu carro com álcool, que será transformado em hidrogênio, e alimentará uma célula a combustível. Esta, por meio de uma reação eletroquímica, irá gerar eletricidade e fará o veículo, dotado de motor elétrico movimentar-se", diz Antonio Marin Neto, pesquisador do Laboratório de Hidrogênio da Universidade de Campinas. A Universidade de Campinas (Unicamp) desenvolveu um protótipo inédito, que consiste num reformador de etanol para a produção de hidrogênio. Já a brasileira Electrocell criou uma célula a combustível, e nos próximos dois meses deverá realizar testes em campo em parceria com a Eletropaulo. "Já estamos procurando um local para a implantação da fábrica. Deveremos produzi-la industrialmente em dois anos", diz Gilberto Janolio, diretor de engenharia de produto da empresa Electrocell. Com isso, o Brasil deterá uma tecnologia 100% nacional, da produção do hidrogênio à produção de energia elétrica. "Esse será o casamento perfeito", diz Janolio. UNICAMP O reformador de etanol da Unicamp consumiu investimentos de R$ 20 mil, e recebeu apoio das empresas Copersucar, AES Tietê e Oxiteno. Segundo Neto, o protótipo semi-industrial é resultado de dez anos de pesquisa, e é inédito no mundo. Eleja está sendo submetido à segunda fase do projeto para ser transformado em produto comercial. Isso deverá ocorrer em, dois anos. De acordo com o pesquisador, o protótipo está recebendo financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Petrobras. O projeto envolveu o trabalho conjunto de físicos, químicos, engenheiros químicos, engenheiros mecânicos e engenheiros eletricistas. "Valeu a pena. Embora outros grupos de pesquisa estejam envolvidos em projetos semelhantes no Brasil, nós conseguimos sair na frente", diz o professor Ennio Feres da Silva, coordenador do laboratório. Segundo ele, até o ano que vem um carro já estará funcionando, em caráter experimental, movido por uma célula a combustível, que usará o hidrogênio acondicionado em cilindros. Posteriormente, esses "tubos" serão substituídos pelo reformador. Embora seja difícil precisar uma data para a conclusão do projeto, o docente da Unicamp acredita que esse desenvolvimento consumirá por volta de uma década. ELECTROCELL A pequena Electrocell desenvolveu a célula a combustível de alta potência (50KW), suficiente para iluminar um pequeno prédio. "Fizemos uma parceria com a Eletropaulo, que investiu cerca de R$ 1,7 milhão no projeto", diz Janolio. Segundo Mara Ellern, coordenadora do projeto na Eletropaulo, a célula a combustível poderá ser usada para iluminar hospitais, centrais telefônicas e demais locais, mas é preciso primeiro testá-la exaustivamente. A Electrocell fica no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), em São Paulo.