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Brasil pode zerar emissões por desmatamento em 2030 se o Código Florestal for cumprido, aponta estudo

Publicado em 13 outubro 2015

O Brasil pode zerar em 2030 suas emissões de gases de efeito estufa causadas pelo desmatamento da Amazônia se o Código Florestal for cumprido. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com Institutos de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Internacional para Análises de Sistemas Aplicados (IIASA, na sigla em inglês), da Áustria, além do Centro para Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC).

 

Resultado do projeto REDD-PAC, o estudo foi apresentado durante dois encontros realizados nos dias 6 e 7 de outubro, na sede da fundação, sobre temas que serão debatidos durante a 21ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP21), prevista para ser realizada em dezembro, em Paris, na França.

 

“O Brasil não precisa mais de legislação ambiental para conter o desmatamento da Amazônia. Só precisa cumprir a que já tem”, disse o pesquisador do Inpe e coordenador do projeto, Gilberto Câmara, durante o encontro.

 

Os pesquisadores fizeram projeções sobre como o novo código poderá influenciar o uso futuro da terra no País, levando em contas políticas internas e a demanda mundial e nacional por produtos agropecuários brasileiros, além do potencial produtivo de cada região e as restrições ambientais.

 

Para isso, eles adaptaram um modelo econômico global, chamado Globiom. O mapa combina informações sobre vegetação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, Rio de Janeiro/RJ) com dados fornecidos pela Fundação SOS Mata Atlântica (São Paulo/SP), além de mapas de cobertura de terra fornecidos pelo sensor MODIS, do Inpe, e estatísticas de produção agropecuária e de florestas plantadas do IBGE.

 

Com base nessa combinação de dados, o modelo fez projeções do uso da terra no Brasil até 2050.

 

A fim de validar o modelo, os pesquisadores compararam as projeções de taxas de desmatamento e de produção agrícola no Brasil no período de 2000 a 2010 com dados oficiais do IBGE.

 

As diferenças entre os dados do IBGE e as projeções feitas por meio do modelo foram menores do que 10%, afirmou Câmara, que é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) .

 

Matriz Energética. Na avaliação de Glaucia Mendes Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), a meta estipulada na INDC brasileira de aumentar a participação da bioenergia na matriz energética brasileira para, aproximadamente, 18% até 2030, com o objetivo de diminuir as emissões do setor de energia, é muito conservadora e pouco ambiciosa.

 

“Só de etanol de cana-de-açúcar o Brasil já produz 18% e estamos com um potencial ocioso no setor, com várias usinas falindo por terem se endividado com a sinalização de que o etanol poderia aumentar sua participação na matriz energética brasileira”, disse.

 

Biodiversidade. O estudo coordenado por Câmara também avaliou o impacto da implantação do novo Código Florestal na diminuição da perda de biodiversidade no Brasil.

 

De acordo com as projeções, o Código pode contribuir para reduzir o número de espécies ameaçadas no Brasil e de perda de habitats. “Temos mais incertezas do que certezas em relação a como a biodiversidade será afetada pelas mudanças climáticas, mas já sabemos que não só as mudanças climáticas, como também o uso da terra, causam alterações no padrão de distribuição e de abundância de espécies selvagens”, disse o professor da USP e membro da coordenação do Programa Fapesp de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (Biota), Luciano Verdade.

 

O relatório “Modelling land use changes in Brazil: 2000-2050”, resultado do projeto REDD-PAC, pode ser acessado em www.redd-pac.org .

 

Fonte: Agência Fapesp, adaptado pela equipe feed&food.