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Brasil pode ter produção de hemoderivados: MCT pretende montar rede de laboratórios com biotecnologia nacional

Publicado em 15 setembro 2000

Por Simone Biehler Mateos escreve para "O Estado de SP":
O MCT pretende montar uma rede de laboratórios em SP, Rio Grande do Sul e Brasília para desenvolver biotecnologia nacional. Ela será destinada 'a produção no Brasil, daqui a três anos, do fator 8 recombinante, um hemoderivado vital para a coagulação do sangue em pessoas hemofílicas. Hoje, o país gasta U$ 50 milhões por ano com a importação do produto. Outros hemoderivados, como a albumina, também estão na mira do MCT. Como a idéia é trabalhar em parceria com a iniciativa privada, o laboratório Biobras participou da ultima reunião realizada anteontem com representantes do MCT, da Finep, do Hemocentro de Ribeirão Preto e da USP. A Fapesp anunciou a criação de dez Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), selecionados a partir de 112 propostas apresentadas em outubro de 98. Segundo o diretor-científico da Fapesp, José Fernando Perez (ver artigo acima), o objetivo é favorecer a pesquisa científica, a inovação tecnológica e atividades de educação, promovendo a efetiva transferência dos resultados de seus trabalhos para a sociedade. O programa Cepid tem investimento anual de R$ 15 milhões. Cada centro deverá receber verbas que variam entre R$ 300 mil e R$ 2 milhões, por um período de 11 anos. Os contratos iniciais serão de cinco anos, renováveis por mais dois períodos de três anos. (O Estado de SP, 15/9) PESQUISA E OUSADIA, ARTIGO DE JOSÉ FERNANDO PEREZ SOBRE O LANÇAMENTO DOS CENTROS DE PESQUISA, INOVAÇÃO E DIFUSÃO (CEPIDS) Perez é professor do Instituto de Física da USP e diretor científico da Fapesp. Este artigo saiu na "Folha de SP" desta quinta-feira: Os céticos que se preparem: mais surpresas vem por ai. Depois do Projeto Genoma, no qual o Brasil mostrou ao mundo e a si mesmo que está habilitado a assumir posição de liderança em áreas da maior competitividade, novos desafios estão sendo anunciados. É o lançamento dos primeiros Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão, os Cepid's, com os quais a Fapesp se propõe a explorar novo paradigma para a organização da pesquisa científica e tecnológica. A missão desses centros, como sugere seu próprio nome, tem três componentes de igual relevância: a) geração de conhecimento por meio de pesquisa multidisciplinar na fronteira do conhecimento; b) a inovação, associada à transferência de conhecimento seja para o governo, no desenho e implementação de políticas publicas, seja para a iniciativa privada, com desenvolvimento de novas tecnologias de valor comercial e criação de empresas e c) a difusão do conhecimento gerado, requerendo atividades de cunho educacional, envolvendo alunos de segundo grau, de graduação, de pós-graduação, de pós-doutorado e até da educação continuada. Estimula-se com isso a formação de uma cultura de co-responsabilidade pelos destinos da Educação em todos os níveis. Permito-me citar o professor Leroy Hood -brilhante cientista e inventor do seqüenciador automático de DNA-, que, referindo-se aos EUA, disse: "O sistema educacional deste país é reconhecidamente muito ruim. Se a comunidade científica não se envolver seriamente com essa questão, não chegaremos a lugar nenhum". A lugar nenhum chegaremos nos também, e com maiores razoes, se não conseguirmos essa mobilização do sistema de pesquisa científica e tecnológica. Trata-se de iniciativa inovadora em vários aspectos: na complexidade da missão dos centros, em sua organização em função de projetos, no porte orçamentário e na longa duração do apoio que receberão e, o que é muito importante, no acompanhamento permanente. Por um lado, a Fapesp se propõe a apoiá-los por longo prazo: inicialmente por cinco anos, podendo, se bem-sucedidos, receber apoio por um total de até 11 anos. Além disso, o aporte de recursos será' também sem precedentes: já no primeiro ano a Fapesp investirá até R$ 15 milhões, com grande flexibilidade na aplicação dos recursos disponíveis. Para seu acompanhamento, cada centro contará com um Conselho de Supervisão, com composição determinada pela Fapesp, com a responsabilidade de avaliar, discutir e redirecionar, se for o caso, suas atividades. O modelo Cepid propõe uma alternativa à organização departamental da pesquisa. A estrutura de cada centro responderá exclusivamente às necessidades de seu projeto. A maioria dos centros envolverá pesquisadores de mais de uma instituição, formando autenticas redes cooperativas. Nesse primeiro edital, o programa se afirmou como o mais competitivo da historia da pesquisa no país. A resposta ao complexo desafio foi extraordinária, demonstrando a disposição da comunidade em trabalhar no novo formato. Dos 112 grupos de pesquisa que apresentaram pré-projetos, 30 foram inicialmente selecionados para apresentação de propostas detalhadas. Para analisar esses projetos, foram mobilizados mais de 120 cientistas de todo o mundo, cujos pareceres determinaram os dez finalistas, que foram submetidos a uma avaliação in loco das condições de sucesso de cada projeto. Os selecionados cobrem diferentes áreas do conhecimento: ciências sociais, engenharia, ciências exatas, biológicas e medicas. São grupos de excelência que discutirão evolução da metrópole, violência, genoma, câncer, sono, cerâmica, comunicações óticas e laser. Os centros aprovados avançarão o conhecimento, buscarão mecanismos para sua efetiva aplicação e elevarão a informação científica na sociedade. Não inventamos a roda; experiências similares estão sendo testadas com sucesso nos paises mais desenvolvidos. Vamos mostrar que aqui ela também irá girar sempre que tivermos determinação, superando a síndrome do "aqui não dá" e do pacto com a mediocridade. (Folha de SP, 14/9) NOTÍCIAS DO LABORATÓRIO NACIONAL DE LUZ SÍNCROTRON Já está disponível no site do LNLS (http://www.lnls.br) o formulário para solicitar participação na XI Reunião Anual de Usuários do LNLS, em fevereiro de 2001. Lá, você também encontrara as instruções para preparar resumos de trabalhos. PROGRAMA BOLSA DE VERÃO O LNLS já está recebendo inscrições de universitários interessados em participar do Décimo Programa Bolsas de Verão, que será realizado nos meses de janeiro e fevereiro de 2001. O programa aceitara inscrições de alunos de países da América Latina e Caribe. O prazo final para envio da documentação e 31 de outubro. Para saber detalhes sobre o Décimo Programa Bolsas de Verão, clique em http://www.lnls.br A Fapesp anunciou na quinta-feira, dia 14, o nome das instituições que receberão recursos por um período de ate onze anos para implantar Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids). Um dos projetos escolhidos inclui a participação do Centro de Biologia Molecular Estrutural (CBME) do LNLS. Os dez projetos selecionados foram escolhidos dentre 112 propostas recebidas pela Fapesp. Os projetos aprovados realizarão atividades em três setores: pesquisa científica multidisciplinar, inovação tecnológica e atividades de educação, sempre buscando transferir resultados para a sociedade. A Fapesp vai investir, por ano, 15 milhões nos Cepids. Seu anual para cada centro poderá variar de R$ 300 mil a 2 milhões. O projeto aprovado no qual o Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural do LNLS terá ativa participação será coordenado por Glaucius Oliva, professor do Instituto de Física da USP de São Carlos, onde dirige os laboratórios de Cristalografia de Proteínas e de Biofísica Molecular. Também participarão do projeto a Universidade Federal de São Carlos, com o laboratório de Síntese e Produtos Naturais e os Deptos. De Genética e Evolução e de Ciências Fisiológicas. As atividades deste Cepids estarão voltadas para a aplicação pratica das informações produzidas pela aplicação de técnicas instrumentais de física e química aa biologia, como as do programa Genoma. Definir e compreender as estruturas de proteínas serão os alvos dos pesquisadores, tendo em vista a necessidade de desenvolver moléculas de interesse para a produção de novos medicamentos. (Assessoria de Comunicação do LNLS)