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Correio Popular

Brasil pode aderir a painel da biodiversidade

Publicado em 03 agosto 2007

Mecanismo internacional terá a função de avaliar os riscos da redução de espécies em todo o mundo

De São Paulo


O governo brasileiro acenou ontem pela primeira vez com a possibilidade de apoiar a criação de um mecanismo internacional de avaliação dos riscos da redução de espécies em todo o mundo. A idéia, lançada por cientistas de 11 países há dois anos, é compor um grupo para avaliar a perda da biodiversidade nos mesmos moldes que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) faz em relação aos danos do aquecimento global.

Em reunião com o vice-presidente do Imoseb (Mecanismo Internacional de Conhecimento Científico em Biodiversidade, sigla em inglês) ontem, representantes dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia afirmaram que a posição do governo agora é de apoiar a discussão. Em anos anteriores o país, que tem a maior biodiversidade do mundo, não demonstrara interesse em aderir ao painel.

"Acreditamos que é importante sintetizar essa imensa produção científica para orientar as políticas públicas sobre o assunto", afirmou Braulio Dias, diretor de conservação de biodiversidade do MMA.

Mas isso não significa, ainda, que o governo brasileiro já topou participar. Há dúvidas sobre qual formato deve ter este mecanismo e em qual contexto ele deve estar inserido.

A definição deve ocorrer em novembro numa reunião em Montpellier, na França. Lá serão apresentados os resultados de consultas públicas feitas com comunidades científicas de vários países. É a chance de o Brasil apresentar a sua proposta.

A discussão sobre o Imoseb ocorreu durante o lançamento do Instituto Virtual da Biodiversidade, no qual Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se uniram à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para fazer a manutenção dos sistemas de informação desenvolvidos pelo programa Biota. Criado em 1999, o projeto estuda a biodiversidade de São Paulo.