Notícia

24 Brasil

Brasil pioneiro em transplante | Pela primeira vez no mundo, bebê é gerado em útero de doadora cadáver

Publicado em 19 dezembro 2017

O primeiro bebê do mundo gestacionado em um útero transplantado de uma doadora morta nasceu na última sexta-feira (15) no Hospital das Clínicas (HC) da faculdade de medicina da USP.

A mulher que recebeu o útero nasceu sem o órgão por conta de uma doença, a síndrome de Rokitansky.

O transplante do órgão –pertencente a uma mulher que teve morte cerebral– ocorreu em setembro de 2016, no próprio HC, em uma cirurgia que durou cerca de dez horas.

A partir disso, iniciou-se a tentativa de engravidar, o que funcionou já na primeira tentativa, com a transferência de embriões –óvulos da mulher transplantada e espermatozoides do marido dela– para o útero.

A gestação correu normalmente até o parto por cesariana na última semana.

O útero foi retirado após o parto –como é de costume– pois um tratamento de imunossupressão, com utilização de muitos medicamentos e com riscos para a paciente, é necessário para evitar a rejeição do órgão.

Para a escolha da paciente, os pesquisadores brasileiros procuraram uma mulher clinicamente saudável e com óvulos de boa qualidade.

O estudo, que teve como resultados o transplante e a gestação, faz parte de um projeto de pesquisa financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e com apoio do HC.

Segundo Edmund Chada Baracat, diretor da divisão de ginecologia e do Centro de Reprodução Humana do HC, o início do projeto contou com treinamento em porcos e cadáveres –tudo com aprovação de comitês de ética em pesquisa.

Além da mulher que obteve a gestação bem-sucedida, outras duas fizeram parte do estudo, porém, não tiveram sucesso na gravidez. "No mundo, alguns transplantes foram feitos com doadoras falecidas, mas nenhum teve uma gravidez em curso", afirma Baracat.

Nos EUA, outra mulher com o útero transplantado já deu à luz uma criança, contudo o órgão veio de uma doadora viva –nesses casos, é importante haver parentesco de quem doa e quem recebe–, o que, segundo Baracat, torna o processo mais difícil.