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Jornal do Brasil

Brasil pesquisa bactéria

Publicado em 19 dezembro 2000

Por Tina Vieira
BRASÍLIA - A bactéria Chromobacterium violaceum, encontrada em grande quantidade no Rio Negro, na Região Amazônica, foi o microorganismo escolhido para dar início às pesquisas da Rede Nacional de Seqüenciamento do Projeto Genoma Brasileiro, resultado de uma parceria entre o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Estudos anteriores demonstraram que essa bactéria pode ser eficaz no tratamento de endemias como a leishmaniose e a doença de Chagas, além de apresentar potencial para a produção de polímeros plásticos biodegradáveis. "Além de aspectos científicos de saúde, esta pesquisa é importante do ponto de vista da preservação do meio ambiente", disse o ministro Ronaldo Sardenberg. O ministro divulgou a lista de 25 laboratórios que farão parte da rede. Os laboratórios foram selecionados pelo MCT e o CNPq entre 12 propostas. "Este é um esforço que vai envolver cientistas de todo o Brasil. Em breve estaremos lançando as redes regionais de pesquisa", informou. No Rio, foram escolhidos o Laboratório de Metabolismo Macromolecular, da UFRJ, e o Instituto Nacional de Câncer (Inça). Sardenberg disse que o lançamento da rede e mais um passo para colocar o Brasil na linha de frente da pesquisa genética. "Conquistas e desafios como este sinalizam para os brasileiros e para a comunidade internacional que somos parceiros viáveis em projetos de desenvolvimento de médio e longo prazos", afirmou. A coordenação-geral do projeto será de Andrew Simpson do Instituto Ludwig para pesquisa sobre o câncer. Simpson foi um dos coordenadores do Projeto Genoma Fapesp, que decodificou a Xylella fastidiosa, bactéria responsável pela praga do amarelinho, e integra o grupo envolvido no Projeto Genoma do Câncer. A tarefa de Simpson, nesta pesquisa, era mapear um milhão de genes até junho do próximo ano. Como concluiu sua pane antes, ele aceitou o convite para coordenar os trabalhos da Rede Nacional de Seqüenciamento. O prazo para a conclusão do mapeamento genético da Chromobacterium violaceum é um ano, mas Simpson acredita que será possível completá-lo antes. "O potencial da rede de seqüenciamento é grande e o clima é para completar este estudo o mais rápido possível", afirmou Simpson, calculando em seis meses o tempo necessário. Cada laboratório ficará responsável por uma parte do Seqüenciamento. As informações serão centralizadas e processadas no Centro de Bioinformática que funcionará no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ). "A interpretação das informações é o processo mais trabalhoso e será feito com a participação de cientistas de todo o Brasil, via computador", explicou Simpson. O custo inicial do projeto foi de R$ 8 milhões, utilizados para equipar os laboratórios. No próximo ano, o governo pretende investir mais R$ 50 milhões em pesquisas. Até 2003, serão R$ 45 milhões de investimentos no Programa Nacional de Biotecnologia e Recursos Genéticos. OS 25 LABORATÓRIOS SELECIONADOS AM: Laboratório de Biologia Molecular do Inpa e Centro de Apoio Multidisciplinar da UFAM PA: Laboratório de Polimorfismo de DNA da UFPA. Alagoas: Laboratório de Genética Molecular da UFAL. Bahia: Laboratório de Biologia Molecular da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus CE: Laboratório de Moléculas da UFCE. PE: Departamento de Biologia da UFRPE. RN: Laboratório de Mutagênese da UFRN. DF: Laboratório de Biotecnologia Genômica da Universidade Católica de Brasília e Laboratório de Biologia Molecular da UFRN. GO: Laboratório de Bioloda Molecular da UFGO. MG: Centre Nacional de Pesqquisas de Milho e Sorgo da Embrapa. Laboratório de Biodiversidade e Evolução Molecular. Laboratório de Genética e Bioquímica e Núcleo de Análise de Genoma da UFMG. RJ: Laboratório de Metabolismo Macromolecular da UFRJ e Instituto Nacional do Câncer SP: Fundação André Tosello de Campinas e Departamento de Biologia Celular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. PR: Instituto de Ciências Agrárias e Ambientai* da PUC. Departamento de Bioquímica da UFPR e Centro Nacional de Pesquisas em Soja da Embrapa. SC: Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFSC. RS: Laboratório de Genética e Biologia Molecular da PUC e centro de biotecnologia da UFRS