Notícia

Gazeta de Alagoas

Brasil perde o controle da Internet

Publicado em 29 outubro 2003

A HP Services, divisão da Hewlett-Packard no Brasil, anunciou nesta segunda-feira que passará a abrigar o conteúdo da Internet brasileira, até agora sob a responsabilidade da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O trabalho de transferência vem sendo articulado há dois anos e deverá ser concluído dentro de quatro meses. A escolha da HP foi feita pela Terremark, entidade que já administra a maior operação de troca de tráfego nas Américas, a partir de sua central em Miami (EUA) e a quem a Fapesp confiou a tarefa por sua experiência e neutralidade. A Terremark funciona como "aeroporto virtual", por onde já passavam todas as redes de telecomunicações da América do Norte, e agora também da América Latina. Segundo Jairo Crepax, representante da Terremark no Brasil, havia o temor de se passar a administração a uma operadora de telecomunicações convencional. "Encontramos na HP o ambiente ideal", diz. "Outras empresas não estavam suficientemente equipadas e ficariam sujeitas a vender o serviço a operadoras de telecom, o que iniviabilizaria o aspecto de isenção." O contrato entre as partes tem duração prevista de cinco anos, e pode ser renovado até um máximo de 19 anos. O acordo com a Terremark e a HP envolve troca de infra-estrutura e permite empresas forneçam serviços de conectividade aos clientes. "A Terremark ganha com a escolha da HP, a possibilidade de oferecer um 'solution center', com opções de comunicação por fibra, satélite e rádio, entre outros", diz o vice-presidente da HP Serviços, Carlos Bretos. "Também espera-se que neste grande 'aeroporto', as operadoras possam fazer negócios com provedores de conteúdo, o que representaria uma inovação no mercado brasileiro". A Fapesp iniciou a utilização da Internet em 1989, ainda restrita aos seus bolsistas, que retornavam de cursos de doutorado no exterior e sentiam falta do intercâmbio com instituições científicas. Em 1991, uma linha internacional foi conectada à Fapesp para que fosse liberado o acesso Internet a instituições educacionais, fundações de pesquisa, entidades sem fins lucrativos e órgãos governamentais, que passaram a participar de fóruns de debates, acessar bases de dados nacionais e internacionais e transferir arquivos e softwares. Nos últimos tempos, a administração da rede estava se tornando a finalidade principal da fundação, correndo o risco de desviar-se de sua característica de entidade voltada à pesquisa.