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Brasil não tem base de dados unificada sobre pesquisa marinha, aponta cientista da UFSC

Publicado em 24 abril 2012

O pesquisador do Laboratório de Oceanografia Costeira da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jarbas Bonetti, apresentou nos dias 11 e 12 deste mês, durante evento realizado em São Paulo (SP), os obstáculos para a produção de pesquisas oceanográficas no país.
 
De acordo com o especialista, que fez pós-doutorado no Instituto Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar, entre 2007 e 2008, falta no Brasil uma infraestrutura de dados espaciais integrada, aberta e atualizada. Isso resulta, segundo ele, numa produção científica que pouco contribui de forma efetiva para o avanço do conhecimento por meio de análises mais sofisticadas.
 
"Muitos doutorandos gastam boa parte do seu tempo de pesquisa na estruturação de uma base primária de dados. Com frequência, esse esforço não seria necessário, porque os dados já existem, entretanto, estão dispersos, não são interoperáveis, ou não estão disponíveis de forma aberta", afirmou durante o workshop internacional Marine Data Management, realizado na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
 
Para se ter uma ideia, hoje não há uma base de dados batimétricos aberta disponível online no país. As cartas náuticas existentes, por exemplo, são disponibilizadas em formato semelhante ao de fotografias digitais e não em formato vetorial, que permitiria seu reprocessamento.
 
"Quando precisamos desses dados, temos que carregar as cartas náuticas no computador, georreferenciá-las, criar um mosaico e clicar com um mouse em cada um dos pixels que têm valor de profundidade. Isso transforma uma tarefa de dias em um trabalho de semanas ou meses", disse.
 
As folhas topográficas em escala mais usadas nos projetos de pesquisa oceanográfica associada à plataforma continental interna, segundo Bonetti, baseiam-se em fotografias aéreas da década de 1960, com problemas de articulação, o que gera dificuldades para emendar as linhas de costa de uma carta em outra. Também são escassos os dados de altimetria nas áreas costeiras, fundamentais para quem trabalha na dinâmica de praias e avaliação da suscetibilidade costeira à subida do nível do mar.
 
(Com informações da Agência Fapesp)