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Correio Popular

Brasil lidera genoma de pragas agrícolas

Publicado em 05 janeiro 2001

O Brasil consolidou sua liderança internacional na área de genética de pragas agrícolas com a conclusão do seqüenciamento genético da bactéria Xanthomonas citri, causadora do cancro cítrico, responsável por prejuízos anuais de R$ 110 milhões no Estado de São Paulo. O anúncio foi feito hoje pelo governador Mário Covas e a direção da Fapesp. Só entre 1998 e 1999, o cancro cítrico reduziu em 25% a produção de laranjas, já que a única forma de controle, hoje, é a eliminação das plantas doentes e das vizinhas. Este é o segundo maior produto do mundo de seqüenciamento de praga agrícola e o segundo maior genoma bacteriano já seqüenciado. Com 4.500 genes (o dobro da Xylella fastidiosa, a outra bactéria seqüenciada pelo Brasil), o projeto terminou 14 meses antes do prazo a um custo de US$ 4 milhões, 50% menos que o previsto. Participaram do projeto cerca de 70 pesquisadores de 13 laboratórios de seqüenciamento e um de bioinformática. A pesquisa contou com o apoio do Fundo Paulista de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que congrega os produtores. Também foi oficialmente; anunciado que o projeto Genoma Câncer chegou a 1 milhão de seqüências. Financiado pela Fapesp e pelo Instituto Ludwig, o Genoma Câncer envolveu 50 laboratórios e mais de 150 pesquisadores de todo o Estado. Este ano, o projeto inicia duas novas linhas de pesquisa: o Transcriptoma Humano, estudo das formas pelas quais o mesmo gene pode codificar diferentes proteínas, e o Genoma Clínico, que busca aplicar o conhecimento genético ao diagnóstico, evolução e tratamento do câncer. GENOMA DA CANA Pela primeira vez no Brasil, a iniciativa privada financiará 50% de um grande projeto de pesquisa, que deverá ter orçamento global de cerca de US$ 4 milhões nos próximos 4 anos. Trata-se da segunda fase do Projeto Genoma Cana-de-Açúcar, que vai desenvolver cerca de 20 linhas de pesquisa para melhorar geneticamente a cana. Algumas visam a tomar a planta mais resistente aos principais vírus, bactérias e fungos que a atacam, outras pretendem adaptá-la ao clima frio do sul do País, enquanto outras ainda vão ampliar sua resistência aos solos ácidos, com alta concentração de alumínio, típicos do Brasil. "Não se trata, em princípio, de produzir transgênicos, porque estamos lidando apenas com genes naturais de várias espécies de cana", explicou Paulo Arruda, coordenador do Projeto Genoma Cana. "A idéia é selecionar esses genes por meio de cruzamentos monitorados."